Vamos lá! A ex-prefeita Cínthia Ribeiro tem obtido relativo êxito na conexão que tenta relacionar a perda da comissão provisória do PSDB para o deputado Vicentinho Jr com misoginia, política de gênero e tais.
O raciocínio sugere que Cínthia, ao ser designada presidente de uma Comissão interventora que afastou Ataídes Oliveira (2020) por querer disputar a prefeitura (quando Cínthia podia ir à reeleição), tivesse lá obtido uma vitória de gênero.
Ou lá na intervenção que a Executiva nacional do PTN (2011) fez no partido regional (Junior Luiz) para entregá-lo à ex-prefeita.
E agora o partido tivesse retrocedido na pauta. E a partir de um mineiro na presidência, está feito o angu.
De outro modo: o problema não seria a intervenção (que de fato, ainda que prevista estatutariamente, é uma violência mesmo que a comissão fosse provisória) e sim a luta política da mulher.
Na tese, homens estariam contra o gênero feminino ao buscarem partidos e presidirem legendas. Uma misandria explícita.
E intervenções (mesmo que previstas estatutariamente) não pudessem ser realizadas em partidos que, como é sabido, são entidades privadas. Ainda que financiadas com recursos públicos.
Uma proposição que reforçaria fragilidade e não fortaleza da luta política feminina.
E que, inclusive, proporcionou a Cínthia um ativo eleitoral relevante na Capital a partir da aprovada administração municipal.
Contra machões inveterados e sem utilizar-se da muleta de gênero.
Obviamente que o enquadro na pauta de gênero concorre para relativizar desempenhos eleitorais que justificam e certificam os partidos.
Cinthia, tudo indica, teve oportunidade de entendimento com a Executiva nacional sobre Vicentinho Jr. Mas optou pela retórica sem filtro das redes sociais.
Inclinação sugestiva de que buscasse o resultado consequente para elaborar uma plataforma política. Um direito dela.
O PSDB, sob seu comando, no entanto, caiu de 13 prefeitos eleitos em 2020 para apenas dois em 2024. Não fez um deputado federal sequer em 2022 e apenas um estadual.
Tem diretórios em apenas seis dos 139 municípios do Estado. Quando o PSDB nacional tenta sair da possibilidade da cláusula de barreira.
Cínthia tem votos e é de luta. Pode sair-se como uma grande deputada federal ou vice de Laurez Moreira.
Mas combater a derrota no PSDB com alegação de misoginia não é argumento a ser levado a sério nas circunstâncias em que se dá.

