Wanderlei Barbosa tem pela frente um desafio: controlar seu léxico para não transformar seu ativo (aprovação popular) em matéria tóxica.
Propagou nas redes sociais ontem vídeo reunindo secretários em mangas de camisa, prefeitos e vereadores na sua chácara Catuá.
O nome catuá designa uma planta conhecida por suas propriedades afrodisíacas e estimulantes. Quesito em que o Palácio Araguaia, tudo indica, não atenderia.
Alí, o governador deu protagonismo ao Comandante da PM que teria levado demandas da Corporação. Cinco dias após aquele discurso das promoções de “18,20 anos”).
O único, dentre os demais, a ser brindado com o espaço próprio para falar no vídeo espalhado nas redes por Wanderlei.
Militares da ativa (conforme a carta constitucional) não podem filiar-se a partidos. A movimentação do coronel Comandante é claríssima. E parece contar com o endosso e impulso do Governador.
Para disputar eleições, deve afastar-se das atividades ou ser agregado pela autoridade superior. Ele sabe perfeitamente disso.
Mas o ignora na prática militar e aí termina não assessorando o Chefe do Executivo no que lhe diz respeito no cargo. Em ano eleitoral, pior ainda.
Mesmo que Wanderlei não seja dado a receber com sorrisos críticas de assessores, preferindo os bajuladores. Ou seja, o problema da assessoria não seria apenas a natureza dos assessores.
Não é só este o ponto. A agenda com prefeitos e vereadores (na publicação) dizia respeito a agenda institucional, obras. Sediá-la em local privado não seria a forma mais adequada.
Wanderlei, pela lei, não pode contratar obras que não possam ser executadas este ano. Não pode deixar dívidas para seu sucessor.
E seu candidato não poderá subir em palanques de inauguração de obras. E se subir, ainda que não faça uso da palavra, pode ser acusado de abuso de poder econômico e político.
Não pode fazer transferências voluntárias a municípios e também é impedido de aumentar despesas de pessoal.
Ainda que sejam programadas para “eficácia” futura. Não pode fazer operações de crédito por antecipação de receita orçamentária nem alterar carreiras públicas.
Agora, quanto à agenda municipal, os números não o ajudam. O governo aplicou no ano passado apenas 57% dos investimentos previstos na Lei Orçamentária.
Contrariamente ao aumento das receitas, aplicou em obras e benfeitorias públicas em 2025 menos que os 58% realizados em 2024 e ainda menor que os 84% de 2023.
O valor aplicado no ano passado (R$ 972 milhões/liquidado) é menor, mais ainda, que os R$ 1,1 bilhões de 2022.
Ou seja, 11,6% a menos (R$ 128 milhões) três anos depois, quando só a inflação no período (2022/2025) foi de 19,49% para mais.


