Quarta-feira, 23 de Set de 2026

Redução de ICMS dos combustíveis proposta por Vicentinho pode comprometer salários. Se eleito, deputado terá que informar como compensará perda de R$ 300 milhões anuais. Uma casca de banana eleitoral

23/09/2026 136 visualizações

A dez dias das eleições, o deputado federal Vicentinho Jr(PSDB) decidiu jogar uma casca de banana para ele próprio escorregar.

A intenção é altruista mas contrária a prioridades. A inflação dos alimentos tem caído e o governo federal tem subsidiado o combustível.

O deputado abriu a boca no trombone da propaganda eleitoral que, se eleito, irá reduzir em 15% o ICMS dos combustíveis.

Ao leigo é dado a dúvida sobre o valor do impacto no bolso, dependente de interpretações.

Mas, na verdade, é 15% da alíquota. Ou seja, de 20% cairia para 17% (apenas três pontos percentuais).

Há pelo menos dois obstáculos ao candidato do PSDB  tendentes a dar à proposta natureza eleitoreira.

O primeiro é econômico: O governo arrecadou de ICMS nos combustíveis (alíquota de 20%) a soma de R$ 1,897 bilhões em 2025 (média de R$ 158 milhões mensais).

Equivalente à metade da folha salarial mensal líquida do Executivo.

E a 11,5% das receitas correntes, 26,6% (de todo o ICMS) e 23,74% da receita tributária.

Considerando que fosse implantada a redução de Vicentinho (imposto de 17%) – e tendo como referencial o realizado no ano passado – a arrecadação de ICMS dos combustíveis perderia cerca de R$ 300 milhões/ano. Menos R$ 25 milhões mensais. Ou: R$ 1,2 bilhão no quadriênio (desconsiderada a inflação).

E ainda tem outro fator: Vicentinho não informou  onde será compensada a perda da renúncia de receita.

Expediente que terá que obter aprovação do Confaz e do comitê gestor do IBS.

E a PEC da regulamentação da reforma tributária no Estado sequer iniciou tramitação no Legislativo.

Ou seja: pura casca de banana eleitoral.

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