A agonia do senador Irajá Abreu (PSD) faz um mal danado à candidatura de Laurez Moreira e à ex-senadora Kátia Abreu (PT).
A Laurez porque fragiliza o grupo e a própria motivação dos aliados. Ele tem fôlego e maturidade para reerguer-se mas as perdas são indiscutíveis.
Atinge a ex-senadora de dois modos: é a coordenadora da campanha de Lula no Estado e mãe daquele que pode fazer tudo a perder na aliança petista.
Kátia reuniu na campanha o PSD e o PT. E agora consegue atrair o Coletivo Somos. Tudo pela reeleição de Lula. Kátia é matemática e disciplinada em campanhas eleitorais.
É leal e tem muito preparo intelectual e prestigio não só no governo Lula, mas no Congresso, dentro e fora do país. Em política, tem construído pontes e não muros.
Foi derrotada em 2022 por uma estratégia semelhante de Irajá Abreu. Era até março de 2022 a companheira de chapa de Wanderlei. Ele própriou o anunciou de público.
Irajá desentendeu-se com Wanderlei e não quis saber da mãe candidata. Lançou-se candidato ao governo em oposição a Wanderlei, inviabilizando Kátia na chapa palaciana.
A reação de Laurez Moreira hoje de que Irajá estaria desinformado sobre a convenção sinaliza que não tem volta. O Senador vai às ruas sozinho.
E aí terá mais problemas. O primeiro deles, a desconfiança dos aliados que provocará consequências nas urnas. Irajá talvez esteja buscando o rumo de saída da política. Mas o faz da pior forma possível.
Irajá tem problemas com prefeitos. O PSD elegeu em 2024 apenas seis deles. Ou seja, 27 prefeitos a menos do que os 33 de 2016 e 16 a menos do que os 22 prefeitos eleitos pelo partido em 2020. Um período em que o PSD esteve sob sua presidência.
Ele próprio Irajá derrete desde 2018 quando disputou o Senado. Lá ele teve 16,82% dos votos. Já em 2022, na disputa ao governo (também majoritário) saiu com 7,61%. Menos que Paulo Mourão (PT) que teve 10,64%.
Na última pesquisa (Paraná Pesquisa/junho/2026) Irajá ocupava a 5ª posição na disputa pela reeleição com 16,2% dos votos. Um índice menor do que aquele que o elegeu. Perdeu votos para senado em oito anos.
E agora pode perder o mais importante: credibilidade. O fio condutor da política.



