Sexta-feira, 3 de Abr de 2026

Reação de Amastha a críticas pessoais de Janad eleva a temperatura da pré-campanha. Deputada parece necessitar de mais cérebro que fígado. Estratégia interessa a ex-prefeito que pode apenas cortar a bola levantada!

17/05/2024 905 visualizações

A reação do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB) nas redes sociais às investidas gratuitas da deputada Janad Valcari (PL) que o teria chamado de “baba-ovo” da prefeita Cínthia Ribeiro (PSDB), parece indicar que o ex-prefeito tivesse aceitado o convite da parlamentar a entrar no ringue.

Pode não ser uma boa notícia para o eleitor e morador da cidade, para Carlos Amastha e muito menos para Janad Valcari.Enquanto Eduardo Siqueira e Junior Geo podem correr livres no octódono. Janad pode já ver em Amastha seu adversário no segundo turno. Mas pesa a  mão como o faz rotineiramente. E aí perde mais do que ganha. 

Isto porque se sua reação e ação atendem os radicais bolsonaristas (e ela diz que  não é apesar de estar no partido de Jair Bolsonaro), faz os demais refletirem sobre sua conduta como uma eventual prefeita. E a situação é relevante no segundo turno onde os candidatos terão que obter mais de 50% dos votos.

A estratégia joga Cínthia e seu inconstestável ativo político definitivamente no colo de Carlos Amastha, caso Junior Geo não decole. Janad assim define adversários antecipadamente. Pode ser uma tática.

Mas o problema está na forma que pode ser incompreendida por determinado espectro do eleitorado que pode ver Cínthia e Amastha como vítimas de uma candidata que podem enxergar sem limites éticos numa campanha eleitoral.

Faço cobertura jornalística das campanhas para prefeito de Palmas desde a primeira eleição na cidade (Janad tinha 4 anos em 92). E, com efeito, é a primeira vez que vejo uma deputada-´candidata a prefeita chamar um ex-prefeito adversário de "baba-ovo" na campanha eleitoral.

O discurso do prefeito eleito em 92 (Eduardo Siqueira) está aí  na praça, no nível respeitoso em que se deu há três décadas. Quando também havia a bi-polarização direita e esquerda, PDC/PMDB, Arena/MDB, PSD/UDN. E como o fazia, até agora, Carlos Amastha.

Nível rebaixado, como se nota, a observar-se as regras democráticas, respeito ao destinatário da mensagem, ao eleitor e de civilidade.Os anos se passaram (32 anos), a cidade saiu de 20 mil habitantes para 300 mil  moradores, mas retrocedemos na linguagem eleitoral.

A deputada, por outro lado, consome grande parte de sua carga horária de trabalho (paga pelo contribuinte do Estado) a exercer oposição de vereador à prefeita que a população da cidade já financia com seus parlamentares municipais. E não é por falta de equívocos do governo a quem cabe os deputados, como ela, fiscalizar.

Uma distorção que somente seria corrigida com a renúncia do cargo de deputada ou à campanha ostensiva atemporal contra a prefeita e em favor de uma eventual candidatura a Chefe do Executivo municipal. E que, entre ambas, a deputada não demonstra querer fazer escolhas excludentes. Pelo contrário: sinaliza que a incluam fora disso.

Fora exercer uso da figura de linguagem pejorativa atribuída a Janad sobre Amastha, a deputada, portanto, teria de volta o termo de subserviência aos cofres públicos, ainda que tenha seus negócios privados.

E aí o mais grave do contragolpe e maior distorção que deveria ser levada a sério: Amastha devolveu que empresários (sem declinar nomes) estariam receosos da candidatura de Janad porque – conforme Amastha em vídeo – a deputada teria CNPJ para tudo, sugerindo o que a colocação já indiscutivelmente sugere.

Uma exposição que mereceria defesa de Janad ou ação do Ministério Público. No Estado, um governador foi afastado pela suposição de uso de empresas de fachada.

Evidente que é uma briga que favorece a Carlos Amastha. Tem o ex-prefeito a oportunidade de cortar o que levanta Janad.

E ainda reverberar que a deputada não tem qualidades que se exige de um político: temperança. Críticas que recebeu o próprio Amastha quando candidatou-se pela primeira vez lá em 2012.  

É provável que Janad, na sua aparente aridez política, espere de Amastha a reação institucional que a prefeita Cínthia tem de suas investidas pessoais contra a Chefe do Executivo  municipal,  confundindo – como acertou Amastha – adversidade política com inimizade, ainda que o salário saia de cofre público impessoal e cargos públicos de agentes políticos também o sejam.

É óbvio que Amastha (que está fora da folha salarial do serviço público), com mais experiência e conhecimento, acerta golpes abaixo da cintura com mais propriedade e ciência política do que os cruzados sem direção de Janad. Por trás dos holerites públicos.

Curiosamente uma vitória de Janad neste ringue que ela ergue diminui a política que deixa de ser um instrumento de  mudanças para duto de retrocessos institucionais incontestes.

Dado que política não é sinônimo de briga e sim de conversa, dialética, por um motivos simples: ninguém pensa do mesmo jeito que outro. De outro modo: todos tem o direito de pensar igual ou diferente.

Ainda que não se espere alteração de personalidades, há tempo para correção de rumo da campanha que já passou da fase de críticas infundadas de tribunas. A lente aumenta a cada dia.

 

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1 Comentário(s)

LUSIMAR MORAIS 17/05/2024

Meu em matéria anterior tive a oportunidade de comentar sobre a postura da ilustríssima "VEREADORA ESTADUAL" ou DEPUTADA MUNICIPAL" , como quiserem. Fato é que a ambição de poder pelo poder dessa senhora é algo incomum. Desde sua passagem pela câmara, não fez outra coisa senão buscar a qualquer custo pavimentar uma candidatura a prefeitura de Palmas e assim segue no mandato da assembléia. Como diria famoso personagem da escolinha do professor Raimundo"só pensa naquilo ". Ela está em campanha aberta a prefeitura de Palmas, usando e abusando dos cargos e recursos públicos e não tem um único órgão de fiscalização capaz de questionar. Ao meu ver tem motivos de sobra para a impugnação da sua candidatura, é só rastrear as redes sociais. É isso