Se há oposição, sempre existirão os profetas do caos. E a dois anos das eleições municipais, uma avenida. É o que se dá atualmente nos problemas enfrentados pela prefeita Cínthia Ribeiro no transporte coletivo da Capital esta semana.
Obviamente que a situação bem poderia ser evitada com planejamento mais adequado, causa que tem como consequência os problemas atuais. A finalidade buscada, entretanto, supera as intercorrências previsíveis.
Sabia-se, há muito, do cartel das empresas de transporte coletivo, da manipulação de dados para formação das tarifas, da precariedade do serviço, dos subsídios às empresas (no preço e nos combustíveis), do embuste da renovação da frota como fundamentação argumentativa dos reajustes e da leniência pública histórica do conselho municipal, mais preocupado com as empresas do que com os usuários, o bolso do contribuinte e os cofres da prefeitura.
Assim como o prazo de validade da licitação que exigiria novo certame quando não se era desprezado, por lógica, o fato das três empresas atuais dele não participarem ou serem derrotadas, retaliação à perda do monopólio. Onde, juridicamente, eram apenas prestadores de serviço, contratavam motoristas e mecânicos e a prefeitura cuidava do resto posto serem os ônibos de propriedade pública.
Isto, também por lógica, levaria à necessidade de um esquema alternativo, na eventual (e previsível) entrega dos serviços. Os problemas desta semana iluminam que, apesar da vontade política da prefeita, a estratégia apresentou falhas de previsão/planejamento.
A prefeita Cínthia tranquiliza que esta semana o serviço voltará à normalidade. É uma previsão que para materializar-se terá que enfrentar a vontade de terceiros interessados, como a própria categoria de motoristas que tem também suas necessidades e que pode dificultar as intenções do Executivo municipal.
Um fato, por outro lado, não é nada desprezível: Cínthia decidiu enfrentar o cartel que domina o setor há mais de três décadas sem ser importunado. Seja pelas administrações ou pelas críticas dos usuários.
Já é meio caminho andado para a melhoria do sistema.


