Os candidatos protocolaram seus planos de governo. Juntando seus projetos e a inércia das receitas/despesas do atual governo, a perspectiva não é boa para qualquer um que sair-se vencedor em outubro.
E aí, mais um elemento de conflito para as pretensões eleitorais e de governo da candidata do Palácio Araguaia, senadora Dorinha Seabra. Ou defende a obra que quer continuar, ou a critica.
Obviamente o bom senso e a razão indicariam que pudesse fazer os dois. Mas tem o "além público" da coisa, o temor de perda de apoio que já não o tem "até o último fio de cabelo" como expressado por Wanderlei.
Fato configurado pela própria movimentação de campanha. Ainda que possa ser alterado. Até o momento, Wanderlei prefere ser o garoto propaganda de si mesmo e do seu governo nas redes.
Tem, evidentemente, a legislação eleitoral debaixo do braço, diferente de sua candidata que faz campanha antecipada há muito.
Vamos lá: de janeiro a julho o governo do Estado fez despesas de R$ 11,8 bilhões e pagou R$ 10,7 bilhões. De janeiro a junho eram R$ 11,2 bi empenhados e R$ 9,9 bi pagos.
Significa que empenhou mais R$ 617 milhões em julho e pagou mais R$ 742 milhões, comparando janeiro a junho/julho. Pagou 20% a mais do que empenhou no mês.
É um vetor que dá um grau de inclinação elevado porque esses pagamentos dependeriam de igual inclinação ascendente das receitas. E que não ocorreu.
De janeiro a junho, as receitas estaduais cresceram (no semestre) singelos 5,66% nominais (1,23% descontada a inflação).
E arrecadou menos do que esperava: R$ 4,02 bilhões, 91,58% da previsão (R$ 4,39 bilhões). São as receitas a métrica das despesas e não o contrário.
E agora o pior: Relatório do último dia 31 de julho da Consultoria de Orçamento, Fiscalização e Controle do Senado Federal aponta (3º RARDP de 2026) que o IR (no país) sobre dividendos somou R$ 2,2 bilhões de janeiro a junho.
Com isto, a projeção de arrecadação para o ano foi revista de R$ 28 bilhões, do orçamento inicial, para R$ 17,2 bilhões.
Ou seja, a arrecadação de IR no segmento pode ser R$ 11 bilhões a menos que o previsto (40% menor).
E o que isto tem a ver no Tocantins: O Estado projeta arrecadar em 2026 receitas de R$ 7,4 bilhões de Fundo de Participação dos Estados.
É o que tem garantido o pagamento antecipado dos salários do funcionalismo.
Isto aí é 34,2% das receitas correntes previstas para 2026 (que foram calibradas para R$ 21,6 bilhões).
Somando os R$ 9,2 bilhões da previsão de receita tributária no Estado, tem-se (FPE+impostos) cerca de 72,2% das receitas do governo do Tocantins.
Ocorre que um dos componentes do FPE/FPM é justamente as receitas do Imposto de Renda, de competência da União. As receitas calibradas para baixo pelo governo federal.
E nos impostos estaduais (de janeiro a junho), o governo projetava arrecadar R$ 4,39 bilhões e só conseguiu R$ 4,02 bilhões.
Vai sair ou vai continuar!!! Acerte ou caia.


