Os motoristas do transporte coletivo optaram pela greve. Aproveitaram a insatisfação com os salários e incluíram como condição de retorno outras reivindicações além do cumprimento da data-base de 2020 e 2021.

De 2009 a 2019, os donos de empresas reajustaram as tarifas (com o aval da Câmara e da Prefeitura) em 79%. E, tudo indica, não repassaram a correção sequer da inflação aos empregados. A inflação no período foi de 54%.

A Prefeitura bem que tentou evitar a paralisação concedendo subsídio para a correção de 10,22% dos salários. Arriscou-se a ser tratada como co-responsável pela demanda que é meramente trabalhista entre patrão e empregado.

Como as demandas dos dissídios já eram conhecidas, um pouco de prudência política poderia ter evitado muita coisa. Dado que os empregados não iriam desperdiçar a chance de negociar questões pendentes.

Os 10% eram apenas o chamariz para a composição da mesa de negociação com a Justiça Trabalhista.

Metendo a mão no melado a Prefeitura se melou também. Um risco que correu pois poderia fazer parte tanto da solução quanto do problema. Se sua proposta fosse aceita, sairia no lucro. Perdendo, no prejuízo político.

Ocorre que a probabilidade de êxito era menor do que de fracasso, consideradas as circunstâncias.

Com o canhão do transporte coletivo nas mãos mobilizado e a mediação da Justiça Trabalhista, era certamente dedutível que os motoristas não ficariam só com os 10%.

Disso aí, haveria poucas dúvidas, sairá um novo reajuste das tarifas. Beneficiando motoristas e donos de empresas.

Com a manutenção, também, do subsídio (algo em torno de R$ 200 mil mensais) do bolso do contribuinte que também passará a pagar passagens mais caras.

Ou seja: o recrudescimento do movimento e a não aceitação da proposta da Prefeitura beneficiará patrões e empregados. E prejudicará a população.

Numa concessão que tem ainda um ano e três meses de vigência.

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Ponto Cartesiano

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