No dia em que Palmas registrava mais 130 novos casos da Covid-19 (30% de todos os casos registrados ontem) a Câmara de Palmas dispendia seus esforços, por iniciativa de sua presidente, vereadora Janad Valcari, para uma homenagem de gênero à ex-vereadora Maria da Balsa. Assim, do nada. Intui-se pela condição de gênero de Janad e Maria da Balsa, o cargo e oportunismo político.

Motivo: ter há cerca de 20 anos (1.999) assumido a presidência da Câmara. Numa legislatura que tinha ainda (todas depois da batalha das urnas de mulheres contra homens que se insinua) mais três vereadoras: Mariza Sales, Cirlene Pugliese e Zilneide Avelino.

Levada a sério, a condecoração atinge o próprio pé dos vereadores, empurrados, por simples lógica cartesiana, a se questionarem porque demoraram duas décadas para perceber a importância do gênero mulher, em geral, e de Dona Maria da Balsa, em particular.  Um avanço como num passe de mágica. Caiu um raio.

Teria que ter surgido Janad (eleita com o inequívoco apoio do Palácio Araguaia) para mudar o perfil dos vereadores. Eloquente. E que se note, o hoje vice-governador Wanderlei Barbosa (tido como um dos cabos eleitorais da nova presidente), era, à época, um dos vereadores da base siqueirista. E seguiu assim, antes e depois de Dona Maria.

Politicagem pura. A cidade na quinta (com 19% da população do Estado) preocupava-se com os 7.333 contaminados/100 mil habitantes superiores aos 5.966/100 mil de todos os municípios do Estado. E com a quantidade de corpos: 17% de todos os óbitos do Estado e 24¨% dos contaminados (para uma população de 19% do Tocantins).

Situação que em condições normais exigiria da presidência da Câmara uma ação conjunta com os vereadores para auxiliar o Executivo no combate ao vírus mortal a ocuparem-se de fisiologismos rasteiros.

Janad Valcari, assim, começa mal sua presidência escancarando um populismo barato. Levou a sério a questão de gênero da forma como colocada e, deduz-se, tratou de tirar proveito, voluntária ou involuntariamente.

Poderia ter homenageado, em momento mais oportuno e menos politiqueiro, Maria da Balsa por sua contribuição a Palmas, mas optou pelo fato de ter sido Dona Maria a primeira mulher a ocupar a presidência da Câmara. Seria uma vitória acima da eleição propriamente dita já que outras mulheres se elegeram naquela eleição.

Retrocedendo a 20 anos o debate de cotas de gênero no Legislativo, sugerindo que Maria da Balsa tivesse à época ocupado a presidência plasmando uma luta da mulher quando foi ali colocada por uma conjuntura política. Ainda que tivesse o carinho dos moradores das barrancas do rio.

Não que a homenageada não o mereça (e criticar homenagens é atrair críticas afetadas). Certamente menos pela contribuição ao Legislativo que por sua história de pioneira na Capital, uma guerreira ali do outro lado do rio Tocantins (quando havia rio e Luzimangues era apenas a foz do ribeirão Mangues).

A história (e quem a presenciou) registra como transcorreu sua passagem no comando da casa. Assim como se sabe que haviam naquela legislatura mais três vereadoras eleitas: Mariza Sales, Cirlene Pugliese e Zilneide Avelino que não foram objeto do historicismo da nova mesa diretora da Câmara.

De outro modo, o avanço de gênero somente contemplaria homenagens pela luta da mulher no comando da casa e que, no caso, não foi produto de luta e sim de dedaço siqueirista.

Um processo que era comandado pelo ex-governador Siqueira Campos que tinha seus motivos. Siqueira tinha maioria dos vereadores (sete dos onze) e a oposição começava a dar as caras (MDB e PSDB tinham dois vereadores cada).

Dona Maria foi colocada no lugar de outro siqueirista, Amarildo Martins, dando ao siqueirista Odir Rocha tranquilidade para administrar a cidade até o final do mandato quando foi impedido pelo grupo de tentar a reeleição que tinha direito legítimo, abrindo mão da vaga para outra siqueirista: Nilmar Ruiz.

Situação que não se encaixa no materialismo histórico da nova presidência (produto bem ligado ao capital) tampouco servem como fundamento as razões e as circunstâncias  que as circunscrevem, no que relega a decisão da homenagem a mero diversionismo populista.

Um desserviço à própria luta legítima e necessária da mulher pela igualdade de oportunidades.

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1 Comentário(s)

  • JOSIVALDO ALVES DA SILVA
    08/01/2021

    Parabéns Armando Costa pela matéria, infelizmente o quantitativo expressivo de vagas na Câmara de vereadores de Palmas, aliada ao pouco compromisso do eleitor para escolher os nossos representantes para o legislativo, contribuiu para o predomínio de vereadores eleitos sem a devida formação política. Será se essa atual presidente da Câmara de Palmas, sebe quem foi Ana Braga?

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