Quarta-feira, 8 de Abr de 2026

MPTO aciona Justiça para suspender terceirização de Unidades de Pronto Atendimento

08/04/2026 25 visualizações

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) se manifestou, nesta segunda-feira (6), em uma Ação Popular que questiona a contratação de uma entidade privada para gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas. Na manifestação, o órgão aponta indícios relevantes de ilegalidades no processo e defende a suspensão imediata dos atos administrativos relacionados à contratação.


A atuação ocorre como fiscal da ordem jurídica, diante do impacto direto da medida sobre a saúde pública e o interesse coletivo. A ação contesta a Portaria nº 766/2025 e o Processo Administrativo que autorizam a celebração de Termo de Colaboração entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, organização social que  deveria assumir  a gestão das unidades na próxima segunda-feira, 13. 


O contrato em análise prevê a transferência da gestão das unidades para uma organização social, com valor estimado em mais de R$139 milhões por ano, podendo alcançar cerca de R$ 700 milhões ao longo de cinco anos. Os valores representam um aumento de até 800% em relação a custos anteriores sem ampliação proporcional dos serviços.

Pontos levantados

Entre os pontos levantados pelos  promotores de Justiça Vinícius de Oliveira e Silva e Rodrigo Grisi Nunes estão a ausência de chamamento público regular, questionamentos sobre a idoneidade da entidade escolhida e possíveis inconsistências no processo administrativo que fundamenta a contratação.  Segundo a manifestação do MPTO, a organização social  possui histórico de sete contas rejeitadas no Tribunal de Contas de São Paulo.


Os promotores de Justiça também chamam atenção para a falta de participação do Conselho Municipal de Saúde na deliberação sobre a mudança na gestão das unidades, etapa considerada obrigatória nas políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) é essencial para garantir o controle social.


Outro aspecto apontado é a possível incompatibilidade entre os valores previstos para o contrato e o orçamento público aprovado, além de questionamentos sobre o planejamento da medida.


Concurso público em vigência

Outro ponto sensível é a justificativa de urgência para a terceirização, apesar da existência de concurso público vigente na área da saúde, com grande número de candidatos aprovados não convocados e ainda um amplo cadastro reserva formado. 


Há ainda relatos de falta de transparência, uma vez que o processo era apresentado como em fase de estudo, enquanto decisões já estariam tomadas e recursos empenhados, incluindo a liberação antecipada de mais de R$11 milhões.


Soma-se a isso o risco apontado para a qualidade do atendimento, diante de possíveis mudanças nas condições de trabalho dos profissionais.


Diante dos indícios apresentados, o Ministério Público se posicionou favoravelmente ao pedido de concessão de medida liminar para suspender os efeitos dos atos administrativos questionados, incluindo eventual assinatura do contrato.


O MPTO também destaca que a suspensão não compromete a prestação do serviço, uma vez que as unidades já vêm sendo atendidas por servidores públicos municipais.

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