O governo tem pressa. Na semana passada (24 de junho) editou Medida Provisória (MP 29/ainda não publicada no Diário do Legislativo) incorporando ao sistema viário estadual vários trechos do município de Palmas na região de Taquaruçu.
A estadualização dos trechos foi aprovada pelos vereadores sem a devida discussão com os moradores. E tem lá seus custos. Mas é jogo jogado. Não se viu oposição ao fato. Nem dos coletivos, dos movimentos sociais de sem terra nem dos vereadores.
Os problemas latifundiários na área rural da Capital são conhecidos. Ainda mais na região entre Taquaruçu e Buritirana.
O movimento dos sem terra e sem teto já elegeu até vereador na c idade. A prefeitura era obrigada a transformar área rural em urbana para alojar as pessoas com recursos federais.
O trecho Taquaruçu/Taquaruçu Grande/Buritirana (no triângulo da nova rodovia) é hoje um grande produtor de soja para exportação. Rodeado de natureza destinada à extinção.
No início dos anos 90 estive ali fazendo reportagens com chacareiros que tiveram suas terras expropriadas.
Uns 10 km serra acima, dentro de um boqueirão sentido Taquaruçu Buritirana. Ali onde hoje se quer passar uma rodovia de asfalto.
Era um grande vazio e longe de tudo, sem asfalto, só morava em Taquaruçu aquele que não conseguia pagar aluguel em Palmas. Mas já tinha gente de olho grande.
Claro está que os grandes produtores tem problemas para atravessar Taquaruçu e Taquaralto para entregar a produção no terminal da VLI da Norte Sul.
Deixarão, agora, de fazer uso de trecho já desmatado para utilizar um novo trecho a ser modificado pela nova rodovia. E sem pagar nada!! Até o FET foi extinto.
Mas o pretexto público de governo e prefeitura é o de facilitar o acesso dos moradores de Palmas ao distrito
Ontem, seis dias após publicar a MP 29 no Diário Oficial, o Executivo publicou decreto (7.192/26) declarando as áreas (essas entregues pela prefeitura e aquelas particulares) de interesse público para fins de desapropriação.
São 18 mil metros de extensão, com 80m de largura. A primeira Alça. Tem outra.
Na prática, o governo já as desapropriou. Ele quer estender e asfaltar a TO-365 (Alça de Mira Taquaruçu). Ligando a TO-030 à BR-010. A região é também um filé imobiliário.
Neste momento, a Prefeitura está lutando para asfaltar a ligação do Jardim Taquari ao Centro Tecnológico da Agrotins. E ainda há cidades no Estado onde não se chega por asfalto.
A conexão Palmas/Taquaruçu como querem governo/prefeitura tem também outros efeitos colaterais.
O primeiro, obviamente, é ambiental. O segundo é econômico. Os moradores não necessitarão mais passar por Taquaralto.
E um terceiro: a ação impulsiona a criação do Distrito do Taquaruçu Grande, defendido por um lobbye de donos de imobiliárias e vereadores.
E até de grandes proprietários que querem lotear a área e não podem fazê-lo atualmente porque é considerada rural.
Uma região de beleza natural inconteste, clima ameno e a poucos km do centro da cidade.
Área que já tem seus donos e que serão beneficiados com o boom imobiliário do lugar
Tudo isto podia ser feito. Mas colocando no debate o público acima do privado.



