A presença do ministro dos Transportes, George Santoro, ontem na Capital, para palestra destinada a empresários da iniciativa privada (Fecomércio) foi seguramente singular.
A palestra anunciada pela Fecomércio era: “Integração dos Modais Rodoviário e Ferroviário do Tocantins”. Relevante, claro, para o Estado e país.
O convite restringia os participantes à classe empresarial. Ou: exclusão da classe política.
Mas Santoro barrou o script: anunciou aos empresários a duplicação da rodovia Palmas/Porto Nacional, a conclusão da pavimentação asfáltica das BR-235 e BR-242, a construção da Ponte de Pedro Afonso. Fez política.
E que os candidatos Laurez Moreira (PSD/governo) e Paulo Mourão (PT/Senado), presentes no evento privado, atribuíram-nas terem sido contempladas a pedido de ambos ao presidente Lula. Política.
O governador Wanderlei Barbosa - maior autoridade política e administrativa do Estado - não foi ao anúncio. Com efeito, o governo federal ainda não cumpriu o compromisso de asfaltar as rodovias do Bico do Papagaio após a queda da ponte. Acordo feito entre o governo estadual e o governo federal.
E em nada ajudou o Estado após a interdição da ponte de Pedro Afonso, construída pelo governo federal e cuja manutenção era de sua responsabilidade.
A campanha de Lula é coordenada no Estado pela ex-senadora Kátia Abreu (PT) que abriu dissenso com a dupla do palanque do presidente. Lula tem um palanque no Estado desligado da coordenação presidencial...no Estado.
Mais não bastasse, não há na Lei Orçamentária Anual do governo federal (PLN 24/2026/ OGU) previsão orçamentária para as obras anunciadas.
Delas, constam no orçamento apenas para trechos da BR-235 em que são previstos R$ 55 milhões. Mas entre Bahia e Sergipe.


