O governo fecha nesta segunda o segundo quadrimestre orçamentário. Tem agora até 30 de setembro (quatro dias antes das eleições) para publicar o Relatório de Gestão Fiscal.
O contingenciamento determinado na semana passada e a suplementação orçamentária (abriu crédito adicional) de R$ 2,6 bilhões - que elevou a previsão orçamentária de R$ 19,5 bilhões para R$ 22,1 bilhões - pode resultar em superávit.
Isto se o financeiro seguir o orçamentário ou vice-versa. Caso contrário, um grande balão programado para estourar no próximo governo.
O governo alterou (comparativo de julho/26, publicado em 24/ago/26) o orçamento de despesas de R$ 19.585.004.329,00 (LOA) para R$ 22.359.040.288,93. E elevou a previsão de receita bruta de R$ 24.215.580.306,00 para R$ 26.810.099.503,22. Informação apontada por este blog na semana passada.
O governo contabilizou como receita a renegociação de financiamentos (sem dinheiro novo) e aumentou a previsão de receitas ordinárias, alterando a proporcionalidade receita/despesa, que seguia para deficitária.
Isto eleva a liquidez e aumenta a capacidade de pagamento. Ou: Wanderlei segue para melhorar a Capag, hoje na letra B+. Pelo menos contabilmente.
De janeiro a junho, considerado o orçamento inicial anual de R$ 19,5 bilhões, o governo fez despesas de R$ 11,2 bilhões (execução orçamentária) no semestre.
Isto levaria a um déficit de R$ 1,4 bilhões no semestre pois o governo teria comprometido 57,4% na metade do orçamento (teria apenas R$ 9,75 bilhões no semestre nos 50% do exercício).
Os créditos adicionais, elevaram a previsão para R$ 11,1 bilhões no período (R$ 22,1 bilhões no ano. Como o governo arrecadou de janeiro a junho R$ 11,5 bilhões, o déficit pode virar superávit, subtraindo as despesas empenhadas. A manobra cria a janela para o déficit transformar-se em superávit.
Há, entretanto, riscos. As despesas, especialmente de pessoal, por exemplo, devem fechar o segundo quadrimestre na faixa dos 48%. Muito acima do limite prudencial (46,55%).
Isto porque o governo gastou de janeiro a junho o equivalente a R$ 6,09 bilhões que projeta no final do exercício uma despesa acima dos R$ 12 bilhões previstos no orçamento.
Maior ainda que os 44,68% com que fechou o primeiro quadrimestre do ano. Um crescimento de despesas com salários de 9% em apenas quatro meses.


