A Justiça Eleitoral determinou, na noite deste domingo, 11 de outubro, a suspensão imediata de mais uma pesquisa do Jornal Correio do Povo Tocantinense, instituto que beneficiou Vicentinho Júnior (PSDB) com números muito distantes da realidade das urnas no primeiro turno da disputa pelo Governo do Estado. Em 29 de setembro, o jornal apresentou Vicentinho com 42% e Professora Dorinha (União Brasil) com 37%. Quatro dias depois, em 3 de outubro, ampliou a vantagem do deputado para oito pontos, com 44% contra 36% da senadora. Nas urnas, porém, Dorinha prevaleceu por 45,52% a 43,94%.
A nova decisão, expedida pelo juiz Roniclay Alves de Morais, do TRE-TO (Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins), atende pedido da Coligação União pelo Tocantins e aponta graves irregularidades capazes de comprometer a confiabilidade dos resultados.
O levantamento, registrado sob o número TO-08943/2026, estava previsto para divulgação ainda no domingo e poderia circular nesta segunda-feira, 12 de outubro, não fosse a intervenção judicial. O magistrado proibiu a publicação em qualquer meio de comunicação, determinou a retirada de eventuais resultados já divulgados e fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, sem prejuízo de apuração criminal por desobediência.
Entre as irregularidades reconhecidas preliminarmente estão a exclusão de 87 municípios, deixando 331.131 eleitores, aproximadamente 28% do eleitorado tocantinense, sem possibilidade de participação na amostra, além da ausência completa de entrevistas na zona rural e problemas com margem de erro.
Resultados antes das entrevistas?
Outra falha grave foi a previsão de divulgação dos resultados em 11 de outubro, embora as 1.601 entrevistas só devessem ser concluídas no dia 12. Para o magistrado, trata-se de uma "contradição lógica insuperável", já que seria impossível apresentar resultados consolidados antes do encerramento do trabalho de campo. A coligação de Dorinha sustenta que o conjunto das irregularidades pode caracterizar pesquisa fraudulenta, crime previsto na legislação eleitoral, questão que ainda depende de apuração e decisão definitiva.
Vicentinho divulga instituto
A nova suspensão amplia os questionamentos judiciais sobre o Correio do Povo Tocantinense, cujos levantamentos anteriores apontavam Vicentinho muito à frente de Dorinha e vinham sendo explorados pelo deputado em suas peças de marketing e na repercussão jornalística favorável à candidatura. Na última quarta-feira, 7 de outubro, o TRE-TO já havia determinado a abertura dos dados brutos, planilhas, mapas de amostragem e sistemas internos de duas pesquisas anteriores do jornal, permitindo auditoria requerida pela coligação de Dorinha.
Oficialmente, a nova pesquisa suspensa havia sido contratada por R$ 35 mil por um posto de combustíveis de Barrolândia.


