O assunto é grave: o Secretário da Fazenda foi obrigado a afastar por 180 dias o Superintendente de Combate a Fraudes Fiscais Estruturadas (um auditor fiscal), por decisão judicial.
O afastamento e a demissão do cargo foram publicados no DO da última terça-feira. Motivo: suspeita de favorecimento indevido a pelo menos duas empresas que teriam possibilitado um giro de R$ 400 milhões.
A nomeação fora feita pelo próprio Donizethi Silva em dezembro de 2025.
Um episódio que apontou este blog à época sugerir um desmonte na máquina arrecadadora do Estado. A ex-superintendente (demitida) em janeiro para nomeação do agora investigado era considerada linha dura com contribuintes. Funcionária de carreira há três décadas na Fazenda.
E seu desligamento seguia à demissão do Secretário de Gestão Tributária. Substituído por uma indicação política. Um ex-secretário de uma cidade do interior de Alagoas, ligado a congressistas do Estado.
Na Fazenda, teme-se que o suposto desvio possa ser apenas aponta do iceberg e que os valores possam ser maiores, com repercussão direta na arrecadação de ICMS no Estado.
E que teriam sido praticados justamente por servidor que teria como função combater as fraudes.
Para se ter noção do buraco: de janeiro a setembro, o governo arrecadou de impostos o equivalente a R$ 6,987 bilhões. Significa 41,5% de toda receita corrente no período: R$ 16,812 bilhões.
Um lobo no galinheiro colocado pelo próprio zelador dos galináceos.
De graça é que não deve ter sido.


