Terça-feira, 10 de Mar de 2026

Inteligência tributária passa a integrar o planejamento estratégico anual do agro

10/03/2026 191 visualizações

A combinação entre aumento dos custos de produção, instabilidade do câmbio e mudanças trazidas pela reforma tributária vem reposicionando o papel dos tributos dentro do agronegócio. Levantamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam alta expressiva dos custos operacionais nos últimos ciclos, enquanto dados do IBGE apontam compressão de margens em diferentes cadeias produtivas.

Altair Heitor, contador e especialista em gestão tributária para o agronegócio, avalia que o setor começa a incorporar práticas de inteligência tributária ao mesmo nível das decisões produtivas e financeiras. “O produtor sempre planejou safra, insumo e financiamento. Agora, começa a planejar o tributo com a mesma seriedade, porque entendeu que ali existe impacto direto no caixa”, afirma.

A mudança de abordagem é impulsionada pela percepção de que créditos tributários podem funcionar como instrumento de liquidez e previsibilidade financeira. Em um ambiente de margens mais apertadas, a gestão do imposto passa a influenciar decisões de investimento e expansão, deixando de ser apenas uma etapa burocrática do negócio.

Esse movimento ocorre em paralelo ao avanço da digitalização da fiscalização. Sistemas eletrônicos de controle ampliaram o cruzamento automático de dados e reduziram a margem para erros formais, exigindo maior organização contábil das operações rurais. Ao mesmo tempo, políticas públicas recentes voltadas à liberação de créditos acumulados reforçaram o potencial do imposto como fonte legítima de recursos.

Na avaliação do especialista, a inteligência tributária começa antes da recuperação de créditos e envolve revisão de processos, classificação correta das operações e acompanhamento contínuo da legislação. “Não se trata apenas de pedir restituição. É entender como a operação está estruturada, onde o crédito nasce e como ele pode ser habilitado sem risco”, explica.

O tema também ganha relevância diante da reforma tributária, que tende a alterar a lógica de apuração e a visibilidade dos impostos ao longo da cadeia produtiva. Mesmo antes da implementação completa do novo modelo, produtores e empresas do agro já avaliam impactos sobre fluxo de caixa e formação de preços.

Para Heitor, quem posterga essa análise corre o risco de perder competitividade. “Quem deixa para reagir depois perde tempo e dinheiro. O planejamento tributário passou a ser uma variável estratégica, não mais um ajuste de fim de exercício”, observa.

Em cadeias com margens estreitas, a diferença entre recuperar ou não um crédito pode definir a capacidade de investimento do produtor. “O tributo deixou de ser custo fixo e passou a ser ativo financeiro. Quem sabe recuperar, habilitar e usar o crédito transforma o imposto em estratégia”, conclui.

Sobre Altair Heitor

Altair Heitor é contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio, com mais de 22 anos de experiência. Graduado em Ciências Contábeis pela Faculdade Dom Pedro II (SRES) e em Psicologia pela UNORP, possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria, Auditoria e Compliance pela FGV. Atua como CFO da consultoria Palin & Martins, onde lidera projetos de recuperação de crédito tributário, compliance fiscal e reestruturação estratégica para produtores rurais e empresas do agro, ao lado da sócia Jéssica Palin.

Reconhecido como referência nacional em recuperação de crédito de ICMS e especialista em e-CredRural, e-CredAc e crédito acumulado, também ministra mentorias e treinamentos técnicos voltados à capacitação do setor. Sua atuação ganhou destaque com o aumento das exigências fiscais no campo, defendendo a contabilidade como ferramenta estratégica para geração de resultados. Acesse instagram.com/altairheitor

 

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