Uma leitora/paciente de Gurupi relata ao blog:
- É paciente antiga de um cardiologista que acompanha seu tratamento em Palmas.
- Há três meses conseguiu agendar consulta para esta semana pelo Plano Servir.
- Já na Capital para atendimento, um dia antes da consulta, fora informada que a consulta teria sido cancelada. Motivo: atraso do pagamento pelo Servir.
- Mas que, como ela era do Servir, o médico daria desconto na consulta particular que ficaria em R$ 400,00.
Como exposto, a relação de médico/hospitais não é mais de profissional/paciente. Mas de empresário/cliente/consumidor.
O médico (como a grande maioria) fez o convênio com o plano, ganhou e aumentou clientela, e agora faz uso da captação do cliente que capturou em vacas magras.
No financeiro, o Plano Servir pagou a hospitais e profissionais em dezembro a soma de R$ 83 milhões. Destes, R$ 50 milhões só a hospitais.
A rigor por consultas de 20 minutos e exames no próprio hospital que consulta, diagnostica, interna quando não enterra.
São 80 mil usuários do plano Servir no Estado.
Cobrar consulta de conveniado é um crime. Mas é recorrente como se fora um copo de água.
Se o médico vê que o contratante (plano) não paga em dias, o hospital/médico tem a opção decente de romper unilateralmente o contrato.
Os recursos do plano, 50% são públicos (bancados pelo governo).
O governo, no ano passado, aportou R$ 30 milhões mensais a mais para pagamento destes hospitais e médicos, dada a insuficiência da arrecadação do plano.
Mas médicos e hospitais não largam o osso. Fazem uso de pressão (não atendimento) para apressar pagamentos que necessitam ser auditados. Há as glosas que ojerizam.
Exemplo: se você estiver numa UTI e necessitar de fraudas, se o paciente faz uso de uma em um pacote, a contabilidade registra o pacote inteiro como saída.
Há anos atrás, um hospital que tentou fazer uso político dos pacientes, quase quebrou quando deixou de atender pelo plano.
Mas foi mais decente que a maioria que hoje faz uso do funcionário/paciente como bucha de canhão para aumentar os seus lucros já estratosféricos.
Se a leitora cardíaca vir a óbito, os médicos/hospitais dirão que não tem nada com isto.
Não pagou, morreu. Lembram-se dos cheques de caução que exigiam para atendimento?


