As dificuldades para o governo pagar salários em médio prazo assustam os servidores.
Mas é um dado real na equação.
O Executivo antecipou para sábado (25) os vencimentos de abril.
A medida mantida por Wanderlei Barbosa exige sacrifícios (fiscais e financeiros).
Ele só fecha a arrecadação de receitas a cada final de mês. A antecipação intercepta o planejamento.
Primero paga salários. O resto fica para depois ou faz um vale.
Se não entrar financeiro, vai-se levando.
Inclusive as contribuições sociais (35% da despesa bruta de pessoal). Dados de 2025.
É uma decisão eminentemente política. Mas legítima.
Igual expediente não pode ser aplicado na relação receita/despesa para a antecipação.
A folha líquida de abril (a ser liberada no sábado) é anunciada (Secretaria da Fazenda) em R$ 331,8 milhões.
Ela é 10,37% superior aos R$ 300,6 milhões da folha líquida paga em janeiro (R$ 31 milhões a mais).
O acréscimo nos salários em três meses é maior que o orçamento de um ano de muitas secretarias.
A inflação de janeiro a março foi de 1,91%. Nos últimos doze meses, de 4,14%.
O governo justifica com o piso da enfermagem. Mas não é bem assim.
No mês de fevereiro foram R$ 290.856.025,80, março (R$ 310.106.251,90) e abril (R$ 331,8 milhões.
A data-base de maio (4,7%) elevará isto para R$ 347,3 milhões. Ou: um reajuste na folha de 15,5% de janeiro a maio. Sem contabilizar promoções e demais benefícios concedidos.
E as receitas: Bem. A Secretaria da Fazenda publicou que em março/2026 houve uma retração real (crescimento negativo) de 3,14% nas receitas ordinárias (não carimbadas) comparado com março de 2025.
E que, de janeiro a março de 2026 apresentou “uma expansão real de 0,38% em relação ao mesmo período de 2025.” Contra aquele reajuste de R$ 15,5% nos salários.
Os impostos (35% das receitas correntes) seguem, também, viés de queda em 2026: R$ 730.802.45 (janeiro), R$ 637.478.018 (fevereiro), R$ 662.148.57 (março) e o ICMS (74% das receitas tributária) prevê arrecadar R$ 461 milhões em abril
É 12,3 % menor do que a meta de abril de 2025 e que somada a inflação do ano, uma perda prevista de 17,2%
Wanderlei vai ter que se virar nos trinta para poder entregar o governo enxuto.
E salários,, se não antecipados, pelo menos sem atraso.



