O ex-senador Leomar Quintanilha poder-se-ia dizer é um último decano nas entidades do Estado: preside a Federação Tocantinense de Futebol desde 1.990. Ou seja, há 30 anos comanda o futebol no Tocantins. Deve mirar-se em João Havelange (na Fifa), Putin (Rússia) ou nos Castros (Cuba).

E não está só: na diretoria da entidade, pelo menos cinco diretores o acompanham nestas três décadas. Mais por estratégia política (não raro de coronelismo exarcerbado sob disfarce democrático) do que por inexistência de oposição. Democracia é também dar oportunidade a outro projeto político. 

E não seria difícil: bastaria alterar o estatuto e limitar reeleições, como ocorre, ademais, nos governos e prefeituras, instituições, como a FTF, executivas e não legislativas. Mas não é esse o propósito. O ponto é perpetuar-se e aí enterra o princípio de democracia que a FTF, sob Leomar, alega para o feudo.

Já presenciei disputas em que um dos diretores (ex-deputado Bonifácio Gomes) ganhou no grito, no início dos anos 90,ameaçando até ir às vias de fato, uma sessão deliberativa da entidade contra o oponente de Leomar numa eleição, ex-prefeito Tom Belarmino, que ganhara o pleito. O ânimo hoje é o mesmo.

Ainda que os clubes entreguem à entidade 10% de suas arrecadações nas partidas, a média de público do profissional situa-se na faixa de 800 pessoas. E, em três décadas, as equipes (que sobrevivem à mingua) não conseguem sair da primeira fase em competições nacionais.

A Federação teve em 2018 (último balanço publicado na CBF/de abril de 2019) receitas de R$1 milhão e 867 mil. Destes, R$ 807 mil de despesas com salários.

Pois bem: a Federação fez circular documento ontem informando aos clubes profissionais de futebol que podem abrir os jogos do campeonato (que começa amanhã) ao público. Com uma condição: desde que sigam as regras sanitárias do município.

O Estado registrava ontem 1.464 óbitos pelo Covid-19 e mais de 108 mil e 397 contaminados. Foram 230 mortes só este ano (50 dias) e 18 mil novos casos. O Estado conservava ontem o pior índice de isolamento social do pais (33.4%).

Se no Estado, há prefeitos que sequer buscam as vacinas para imunizar sua população (ontem o Tocantins situava-se entre os cinco que menos vacionou proporcionalmente sua população) não seria a melhor política a liberação, tendo-se conhecimento não só intuitivo, mas discursivo, que futebol mexe com os moradores de cada cidade.

E disto Leomar, nos seus trinta anos comandando o futebol tem condições, pelo que já conhece, de entender como se dará a materialização da norma emitida ontem nos municípios com equipes que disputam o estadual. Somada a estrutura política e pública dos municípios.

Ah, LA, mas as escolas também já podem abrir. Ai seria demais: comparar jogo de futebol com aula, tanto espaço, valor ou controle. Até mesmo a soma (financeira e moral) de um ou outro.

 

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