A senadora Dorinha Seabra (UP) fez uma manobra radical de domingo a segunda.
Discursou que não tem ficha corrida e sim currículo no domingo e ontem teria sido colocada ao celular com Flávio Bolsonaro. Ligação feita, deduz-se, por Eduardo Gomes.
Na questão ficha/currículo pode ser repreendida pelos coordenadores de campanha e marqueteiros. Tudo que Dorinha não precisa agora é retirar o pino.
Pesquisa Atlas/Intel divulgada no último sábado mostrava a senadora Dorinha com uma imagem negativa para 40% dos eleitores tocantinenses.
Vicentinho Jr - seu adversário - tinha imagem negativa de 31%. Eduardo Gomes (29%) e Wanderlei Barbosa (30%).
A reunião (que não teve Eli Borges ou Carlos Gaguim/484 mil votos) foi anunciada sob coordenação de Wanderlei Barbosa e Eduardo Gomes.
Encontrado por Eduardo no celular, Flávio – segundo repassado à imprensa oficial – agradeceu a Dorinha a votação que teve no Estado.
Uma votação impulsionada, por inércia, somente pelo agro. Não se viu campanha de Flávio no Estado, salvo ações esparsas e difusas.
Flávio se arrasta desde janeiro atrás de Dorinha, empurrado por Eduardo Gomes (PL). Dorinha fez rosto de esfinge por dez meses. Não disse A de Flávio ou B de Bolsonaro na campanha.
A expectativa da maioria - como a candidata do UB - era Lula sair-se melhor que Flávio no primeiro turno. Jogo jogado que o bolsonarismo repele. E tinha os cargos no governo Lula.
A Dorinha favorecia, entretanto, o murismo: poderia aproveitar-se do racha da chapa petista e conservar sua influência (cargos) no governo Lula. Num palanque predominantemente bolsonarista.
Diferente, o deputado federal Vicentinho Jr (PSDB) não negou sua condição de direitista na campanha. Pelo contrário, a realçou. E afastou-se do PT.
Tudo indica que não demorou dois dias para Dorinha contradizer o discurso da noite de domingo em que bradou: “Chega de contar meias verdades ou inteiras mentiras”.
Tudo isto sem mexer um músculo da face como tem sido seu método político de convencimento e que, por vezes, atrai rejeições injustas que a fazem, não raro, injustiçada.


