Quinta-feira, 8 de Out de 2026

Executivo na iminência de enfrentar falta de orçamento para despesas obrigatórias. Despesas e projeção de receitas até agosto não lhes garantem anteparo no fechamento das contas do seu governo

08/10/2026 159 visualizações

Os problemas técnicos no Siafi e no portal das transparências nos últimos dias provocaram preocupação mais nos técnicos do governo do que na classe política.

Mas não deveria. Apesar da situação fiscal aparentemente confortável, o Executivo vai administrando questões incômodas. E que podem exigir aval do Legislativo.

Uma delas é a dívida com o PlanSaúde (Servir): a inadimplência com prestadores de serviço apesar do débito automático das contribuições e co-participação.

Há fornecedores cobrando atrasos que se elevam a uma centena de milhões. E, pelos números realizados, falta orçamento para remanejar financeiro.

Como os débitos e créditos são implementados na folha e conta-salário, alguém não estaria fazendo a sua parte.

Sabendo-se, por outro lado, que financeiro não desaparece no ar, a conclusão óbvia é o desvio de finalidade.

A situação é decorrente do planejamento precário e de maior alcance. Na LOA/26, por exemplo, o governo projetou despesas correntes de R$ 14,6 bilhões.

No curso da execução orçamentária, a calibrou para R$ 16,5 bilhões. Um reajuste de 14,5% nas despesas.

Já as receitas correntes foram projetadas na LOA/26 em R$ 17,06 bilhões que foram corrigidos para R$ 17,37% bilhões. Ou: correção de 1,8%.

Uma coisa não bate com a outra. Como se aumenta uma despesa em 14,5% se espera que a receita cresça apenas 1,8%.

Só se cortar nas despesas a diferença. Mas ainda assim residiria a pergunta: por que aumentá-la se necessitaria cortá-la.

Como, mesmo com reajuste, o orçamento de despesas ficou menor do que o de receitas, o problema, ao invés de solucionado, se agrava.

O governo teria a possibilidade de financeiro, mas careceria de orçamento para dele fazer uso.

E até agosto, a receita corrente líquida de R$ 16,2 bilhões (RGF/2º bimestre2026) era apenas 4,5% superior aos R$ 15,8 bilhões com que fechou a RCL de 2025 (dezembro).

Ou seja, apesar do desempenho fiscal, podem estar surgindo na proa desafios orçamentários e financeiros para Wanderlei Barbosa fechar seu mandato.

Herança que podem receber Dorinha Seabra ou Vicentinho Jr.

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