Sábado, 7 de Nov de 2026

Estado necessita criar uma SDAF: Agricultura deixa de lado cem mil agricultores familiares responsáveis por 40% da produção regional. São 400 mil pessoas que perderam crédito de R$ 200 milhões no ano passado por falta de um órgão estadual de fomento

07/11/2026 175 visualizações

As feiras de Palmas comercializam farinha do Maranhão, rapadura da Bahia, feijão do Piauí. Prefeituras compram alimentos para merenda escolar de atravessadores e o agronegócio exportou R$ 13 bilhões de janeiro a outubro.

Apesar da agricultura familiar responder por 40% da produção agropecuária do Estado.  Aquilo que vai à mesa, retirando as exportações.

Governos entram e saem e os agricultores familiares – são 100 mil famílias cadastradas no Estado – se deslocam entre a Secretaria da Agricultura e a Superintendência do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.  Cada um com sua política e prioridades, sem qualquer interlocução entre um e outro.

Observando a movimentação do governo que se aproxima no setor, a situação tende a continuar. Não há uma visão sobre o segmento da agricultura familiar (os pronafianos).

Não é falta de representação. Existe uma federação dos pequenos agricultures da agricultura familiar há décadas. Da mesma forma que o governo tem interlocução com o agronegócios por intermédio de sindicatos e Federação da Agricultura.

Há, aparentemente, no tratamento, um misto equivocado de ideologia e ignorância sobre o que é a agricultura familiar.

E tudo indica ainda não aparece no radar do governador eleito. Como não passou nos anteriores.

Continuamos comprando farinha de mandioca do Maranhã, e o São João e Manoel Alves definham sem produção por falta de pagamento de energia elétrica por parte dos governos.

Projeto que, pela própria inércia política dos governos estaduais, transformou agricultores familiares em empregados dos grandes empresários do Agro, invertendo suas funções e finalidades: agricultura familiar. Ou seja, de produtores livres, são agora dependentes do salário dos empresários.

Não há no Estado, com efeito, um elo entre o governo e o  MDA. São 400 mil pessoas subatendidas, já que a Secretaria de Agricultura/ Indústria e Comércio priorizam indiscutivelmente o grande produtor.

Seguem a política nacional: o agro tem à disposição no plano safra 2026/2027 o equivalente a R$ 525,1 bilhões. E a agricultura familiar  R$ 97 bilhões. Há ainda recursos disponibilizados pelo Banco Mundial para o setor no Estado.

No Estado, a desorganização e falta de vontade política fez a agricultura familiar perder algo em torno de R$ 200 milhões no ano passado.

Foram disponibilizados R$ 600 milhões, mas um terço retornou aos cofres federais. Este ano pouco mais de R$ 15 milhões foram absorvidos.

Motivo: falta de projetos e de alinhamento entre governo estadual federal e pequenos produtores que tem uma federação. Como os agricultores tem a sua.

É dinheiro que o governo do Estado poderia captar, com a criação de uma Secretaria de Desenvolvimento Agrário.

Dinheiro grátis para o Estado mas que mudaria a realidade de grande segmento da população tocantinense. Cerca de 400 mil pessoas.

Os pequenos produtores representam cerca de 80% dos produtores rurais do Estado. Só de assentamentos, são 600 contabilizados (seiscentas associações de agricultores familiares).

É um grupo que sobrevive quase à margem da política estadual que prioriza o agronegócio.

Um setor que produz tudo, até cocô de peixe para adubo.

Mas se continua comprando na feira de Palmas pescado do Pará.

Com um monte de dinheiro desses disponível para instrumentalizar 100  mil produtores e a cadeia econômica e alimentar que os circunda.

Isto, sim, geraria empregos e renda para a população do Estado. Empregos e renda palpáveis e não números estatísticos relativos do PIB.

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