Se ficar provado, o escândalo que vem a tona nesta terça com o levantamento do sigilo do inquérito do Banco Master é mais grave que o próprio desvio de R$ 12 bilhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A descoberta, pela Polícia Federal, das supostas relações do ministro Alexandre de Moraes (ex-presidente da Suprema Corte do país) com o criminoso preso na Papuda coloca em xeque o próprio STF.
Moraes, o xerife da democracia, não diferenciaria, quanto à matéria, dos criminosos que botava no xilindró. A investigação confirmará ou não. Os ministros do STF buscam isolar Andre Mendonça que abriu o sigilo atribuindo-lhe erros processuais.
Pelo publicado, Moraes não só teria conhecimento do contrato milionário entre o criminoso e sua esposa, como teria analisado os termos contratuais antes de sua assinatura. Um contrato de R$ 3 milhões mensais (R$ 108 milhões).
É claro que do ponto de vista objetivo, a esposa não cometeria crime contratar com o banqueiro. Mesmo sendo o marido ministro do Supremo.
Mas subjetivamente, no território da moral, é uma indecência um ministro do STF ter uma esposa que advogaria para um criminoso investigado no STF.
As provas da PF no metadados dos arquivos do contrato denotando como última modificação sendo feita justamente pelo usuário Alexandre de Moraes são cabais.
O Ministro pode alegar: usaram o meu nome, não vi o contrato. Mas PF tende, como qualquer um, a não acreditar.
Mas tem o devido processo legal. E Moraes sequer é investigado. No STF, investigação de Ministro depende do colegiado.


