Empresários e entidades de Araguaína fizeram circular uma carta que entregaram ao Governo. Nela, cobram providências do Executivo estadual e reivindicam que o governo os atenda em 24 horas. Elencam que faltam leitos e que o governo estaria circunscrevendo suas ações na Covid-19 na região apenas a imposição de restrição de direitos.

O leitor do blog é testemunha de que desde a eclosão do vírus aponto a necessidade de o governo dar maior atenção a Araguaína e região. Não por premonição, mas por lógica. A cidade recebe pacientes do Bico, do Sul do Pará e do Maranhão. Dois Estados em situação crítica. São fronteiras livres e o SUS e nacional.

A situação na cidade, entretanto, poderia ser diferente, por outro lado, se o prefeito Ronaldo Dimas não tivesse negligenciado o corona lá no início de março. Em abril só adotou o isolamento por decisão judicial. Lá atrás, estas mesmas entidades que hoje apontam o dedo para o Palácio, quedaram-se inertes. Pelo contrário: a abertura do comércio era uma reivindicação das mesmas entidades do setor econômico.

As entidades cobram providências. Dizem que as restrições impostas pelo governo (isolamento social) só surtirão efeitos com a complementação dos leitos. Na verdade, o isolamento é justamente pela falta de leitos. É para evitar-se o colapso no sistema. No Estado (dados Ministério da Saúde de hoje) há apenas 35% dos leitos ocupados.

O pânico agora (com os 900 casos na cidade e 42 óbitos no Estado) embaralha o raciocínio. O governo confiscou 70% das UTIs dos hospitais particulares. Já distribuiu cestas básicas para 17 mil famílias e trabalha na desinfecção das cidades.

Recebeu de ajuda do governo federal até agora R$ 36 milhões para atender 1 milhão e 572 mil pessoas do Estado. O equivalente a R$ 22 por cabeça. Um leito de UTI do SUS custa R$ 1.500 a diária. Na rede privada, R$ 3 mil/dia.

A população, intuo, deveria encaminhar a mesma carta a Jair Bolsonaro que somente hoje, quase três semanas depois, decidiu-se por sancionar o projeto que libera recursos a Estados e municípios para aplicação na prevenção e combate ao Covid-19

A situação de Araguaína é grave. Assim como a de Palmas e Cariri, uma das maiores incidências de Covid-19 dentre os mais de 5 mil municípios brasileiros. Mas o governo, dizem os fatos, tem feito sua parte e ao seu alcance.

Aliás, foi um dos primeiros governos a decretarem isolamento e criar um comando de crise no país, responsável, certo modo, pelo menor número de casos em relação aos Estados de mesmo porte (Acre, Amapá, Roraima e Rondônia) que, apesar de não terem um corredor expresso para o virus, como a BR-153, que corta o país de Norte a Sul levando o corona sobre rodas, registram muito maior número de contaminados e de óbitos que o Tocantins.

A reivindicação dos empresários e entidades de Araguaína é válida e merece respeito pois estamos numa crise de saúde pública e econômica sem precedentes. O que a diminui e certo modo a invalida é a forma como é colocada e o impulso político eleitoral nela presente. Uma tentativa inequívoca de desvirtuar a atenção e terceirizar responsabilidades.

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