O recrudescimento das aparições públicas de Atos Gomes com Wanderlei Barbosa a uma semana das convenções já extrapolam sinais indiretos.
É pressão para forçar o fato consumado que, para o Governador, não teria volta.
A situação de dúvida colocada em prática pela Dorinha que sugere resistência ao nome, a curto prazo, a prejudica mais que favorece. Ainda que ela tenha fundadas razões.
Não só por densidade eleitoral do indicado. Mas por outra questão mais intrigante: um cargo de vice-governador sugestivo de ativo pessoal na administração pública.
Metaforicamente, se Dorinha (numa eventual eleição) viajar, Wanderlei assumiria o cargo de governador indiretamente, com o marido de sua sobrinha, driblando a probição de três eleições.
A Justiça Eleitoral às vezes erra, mas não é cega. Um parente muito próximo de pouco de mais de 30 anos e, intui-se, sem conhecimentos necessários a assumir um governo.
Onde irá administrar um orçamento de R$ 20 bilhões (PIB de R$ 64 bilhões) e 900 mil pessoas no cadastro único de pessoas de baixa renda ou sem renda no Ministério do Desenvolvimento Social não é para qualquer um gerir.
Por outro lado (e aí pode residir a dúvida), se com Wanderlei no nem-sim, nem-não, as pesquisas não são favoráveis à Senadora (e favoráveis a ele), com ele fora do palanque (ou operando contra), pode ser pior.
Do ponto de vista eleitoral, a Wanderlei, considerado o seu grupo, seria mais ganho uma derrota da Senadora. Numa eventual eleição de adversário, teria um governo para bater e tentar noa eleição daqui a quatro anos. Sob a mesma base.
O concurso de Atos Gomes, assim, aponta que Wanderlei projetaria disputar com a própria Dorinha, no caso de uma eleição dela este ano, fazendo uso de seus equívocos no governo para sua campanha de volta em 2030.
Plantar um parente na vice-governadoria do UB/PL/PP/Podemos, com tais características, pouca idade (mas dentro dos requisitos da Constituição) inexperiência política e administrativa do indicado tem a única finalidade de manter Wanderlei no Palácio.
Em 2030 pode ser ele e o povo contra o próximo governador.
Considerada a distância que o Chefe do Executivo conserva desde o primeiro dia de mandato da classe politica nas suas andanças pelo Estado.
E isto, de tão óbvio por público, não é elemento que se eliminaria da equação palaciana proposta até agora.



