Quinta-feira, 6 de Ago de 2026

Dorinha e Wanderlei, por suas próprias naturezas, tem dois meses para não deixar suas divergências pessoais e entre aliados contaminarem a campanha governista. O desafio é segurar o "mise-en-scène" da convenção até outubro

06/08/2026 155 visualizações

O mise-en-scène de Wanderlei Barbosa e Dorinha Seabra na convenção de ontem pode dar-lhes resultado positivo nas urnas.

Mas não refuta, em absoluto, as escaramuças que se desenvolvem nas coxias. Até porque as vozes contrastam com as expressões faciais.

Ontem, antes da convenção, criou-se uma nova reunião do Republicanos, agora com Dorinha, para aclamar Atos Gomes na vice e reduzir o desgaste do anúncio sem a Senadora anteontem.

O movimento abraçava outro: Wanderlei, acossado pela questão do parentesco (que não pode negar) e da resistência de Dorinha ao nome, teria convidado o coronel Marcio Barbosa para vice que pediu tempo para conversar com seu grupo. Normal.

Wanderlei teria feito uso do expediente (prazo) para reafirmar Atos Gomes. Teria concluído, agora, com o pedido de prazo, que o coronel estaria muito vaidoso.

Afinal, convite de governador não pode ser negado, sequer avaliado. Uma tese comum no poder.

Mas inadequada nas democracias. Uma conclusão razoável é que o convite a Márcio tivesse sido feito apenas para confirmar a forma.

Marcio deixou o cargo de comandante para disputar mandato pelo Republicanos de Wanderlei. Era seu fiel escudeiro.

Mudou-se ontem para o União Brasil. Causa e consequência previsíveis no meio político.

Wanderlei tentou reduzir a questão do parentesco. Nem tudo ele pode, claro. Por pouco Atos não podia ser vice. A Constituição exige pelo menos 30 anos.

Mas depois de sua aceitação por Dorinha, Wanderlei disse textualmente que, se antes estava com o corpo até o pescoço na campanha, agora até os fios de cabelo.

Ou: até ontem, Wanderlei não estava por inteiro com sua candidata, mesmo que discursasse que estivesse.

Como o projeto de governo de Dorinha não foi alterado, Wanderlei movia-se pelo cargo e não pelo governo. Jogo jogado e permitido.

 Tem dois meses para reverter a rejeição de Dorinha e aumentar-lhe os votos.

A estratégia, certo modo, o favorece: com cinco candidatos ao Senado (duas vagas), 50 federais e 100 estaduais, se votos são pulverizados  (reduzindo as chances de uns e melhorando de outros) no Senado e Câmara, todos trabalharão por apenas uma candidata ao governo.

Uma estratégia que também favorece a manutenção do braço de Wanderlei no Palácio.

Denominam o número de candidatos como expressão da democracia.

Sim. Mas também outra face da burrice num sistema em que prevalece o partido que tem mais candidatos eleitos.Seja  na Câmara dos Deputados, Assembléias ou Senado.

E não candidatos em disputa.

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