Terça-feira, 25 de Ago de 2026

Dino enquadra partidos e mira esquema de emendas que já consome 30% da verba livre da União

Decisão de Flávio Dino determina a anulação de cerca de R$ 500 milhões em emendas supostamente indicadas por dirigentes partidários sem mandato e expõe o avanço do poder político sobre uma fatia cada vez maior do orçamento federal. Meu artigo desta terça no NC News
25/08/2026 14 visualizações

A decisão do ministro Flávio Dino desta semana, na ADPF 854 impetrada pelo PSOL, é eloquente. O ministro aceitou as respostas dos partidos negando a indicação de emendas por dirigentes partidários sem mandato.Mas determinou que o Congresso as anule. Algo em torno de meio bilhão de reais até julho de 2026.

E, no mesmo ato, encaminhou as respostas à Polícia Federal para auxiliar o inquérito penal. Não caiu no conto do vigário.

Os “coronéis” dos partidos e o controle sobre os eleitos

No Congresso, não haveria qualquer dúvida acerca do expediente. No país, os partidos são comandados por verdadeiros “coronéis” da política. Não à toa, a maioria é formada por comissões provisórias.

E o candidato eleito é praticamente obrigado a aceitar comandos porque depende da legenda para candidatar-se e, assim, paga o pedágio. A desfaçatez dos dirigentes partidários ao se apropriarem, dessa forma, das competências parlamentares e de verba pública impressiona pela naturalidade com que é tratada.

Ela se soma à indecência das emendas Pix e aos R$ 61 bilhões destinados a deputados e senadores neste ano. Um bônus sem o ônus. Este é jogado para o Executivo.

Para efeito de raciocínio, dos R$ 6,5 trilhões do orçamento da União de 2026, o governo federal terá apenas cerca de R$ 200 bilhões para despesas discricionárias, retirados os gastos obrigatórios. E, destes, terá de destinar R$ 61 bilhões em emendas ao Congresso, dado o caráter discricionário dessas despesas.

Sobrariam ao Executivo apenas R$ 140 bilhões para executar políticas públicas nos mais de cinco mil municípios do país. Não há país no mundo com tal modelo de execução orçamentária.

Ou seja, o volume disponível para investimentos do governo passa a ser indexado ao montante que os próprios parlamentares se autoatribuem. Trata-se de uma inversão completa da relação constitucional entre Executivo e Legislativo.

 

Leia mais:https://ncnews.com.br/2026/08/25/dino-enquadra-partidos-e-mira-esquema-de-emendas-que-ja-consome-30-da-verba-livre-da-uniao/

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