Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Desenvolvimento da cadeia produtiva de leite em Palmas é uma das metas da gestão municipal

luizarmandocosta 02/12/2019 226 visualizações

O desenvolvimento da cadeia produtiva do leite em Palmas é uma das metas estabelecidas pela Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (Seder). Para tanto, um árduo trabalho de assistência técnica e extensão rural segue em curso. O objetivo central é garantir que os produtores tenham acesso a tecnologias de baixo custo e com resultados satisfatórios.

Apesar de o senso comum remeter a palavra tecnologia ao uso de equipamentos e técnicas com alto valor de implantação, a proposta da Seder é justamente o contrário, ao mostrar que a adoção de atitudes simples faz toda a diferença, como o manejo correto do pasto e dos animais. Esses procedimentos podem ser implementados também pelos pequenos produtores, que integram a agricultura familiar.

Dados da pesquisa Produção da Pecuária Municipal 2018 (PPM), divulgados em setembro deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que no Brasil, a produção de leite atingiu 33,8 bilhões de litros em 2018, representando um aumento de 1,6% em relação a 2017, com 33,3 bilhões de litros.

Mas apesar desse crescimento na ordenha, o faturamento no País registrou queda, conforme mostra o estudo Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O valor bruto da produção de leite atingiu R$ 33,3 bilhões no ano de 2018, 1,69% a menos que o ano anterior, sendo de R$ 33,9 bilhões. Os números de 2019, obtidos até setembro, apontam a quantia de R$ 32,8 bilhões de faturamento.

No Tocantins, o cenário seguiu os números nacionais. Em 2017 o faturamento registrado atingiu aproximadamente R$ 152 milhões. Em 2017, os ganhos obtidos foram pouco mais de R$ 140 milhões, representando uma baixa de 8,9 %. Até setembro de 2019 os ganhos já chegaram a R$ 127 milhões, e a tendência é que registre baixa em relação ao ano anterior.

Em Palmas, a realidade tem sido moldada diariamente com apoio técnico da Seder, que não têm medido esforços para alavancar a produção de leite na agricultura familiar e mudar esse cenário. A Seder atende atualmente 45 produtores de leite dentro de várias ações, como as blitze de atendimentos, transporte e distribuição de calcário para a formação de pastagem e capineira, atendimento clínico, melhoramento genético por meio de inseminações, inspeção sanitária, dentre outras iniciativas em torno do melhoramento da qualidade do leite e seus derivados.

Dados da Seder, com base nas propriedades atendidas pela gestão municipal na cultura leiteira, contabilizam a 2.835 hectares de terra em posse desses 45 produtores. Destes, 1.351 são voltados para a produção de leite. O rebanho total é de 1.875 animais entre machos, fêmeas, crias e reprodutores.

Os números de novembro deste ano apontam 484 vacas em lactação e 450 secas (que não estão produzindo). Esses dados chamam a atenção, pois para aumentar a rentabilidade com atividade, a diferença entre as produtivas e secas deve ser bem maior que os atuais números. Pois a rentabilidade com as lactantes acaba cobrindo os gastos com as secas, que neste momento apenas consomem pastagem e ração.

Os produtores conseguiram retirar 3.623 litros de leite, dando uma média de 7,1 litros/dias por vaca e 9,7 vacas em lactação por propriedade. Vale destacar que o desempenho de alguns animais é superior aos demais e acaba puxando os números dos demais locais. "Estudos sobre cadeias produtivas apontam que o aumento da produção no período chuvoso de aproximadamente 50% se comparado a época da seca. Por isso é tão importante que seja feita a programação de alimentação dos animais para que consigam manter um volume interessante na época da seca, momento em que a oferta de leite diminui e o valor tende a aumentar", explica o médico veterinário Cláudio Sayão.

Sayão, que também é servidor da Seder e atende pessoalmente cada produtor juntamente com uma equipe especializada, esclarece que uma das ações que têm feito a diferença e que concentra a maior parte dos esforços da equipe técnica do órgão é o melhoramento da pastagem. "Percebemos que os resultados têm sido satisfatórios com a melhoria da oferta de alimento para o gado", declara.

O médico veterinário lembra que as ações na bovinocultura são fortalecidas por meio dos convênios firmados com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), bem como da parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no programa Balde Cheio, que aposta na capacitação e implantação de tecnologias simples com foco na produção leiteira.

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