A contenção de gastos do governo decretada anteontem, considerada a execução orçamentária, era mais que imposição, uma obrigação. Não só no Executivo.
As despesas mensais pagas pelos poderes tem se mantido igual ou superado a arrecadação mensal de receitas.
Considerando que os valores pagos e empenhados/liquidados/mês não acompanham as receitas, há uma diferença que será empurrada para 2027.
O governo (todos os poderes) pagou em agosto (até esta quinta) o valor de R$ 1,562 bilhões. Destes, R$ 1.445 bilhões pagos pelo Executivo. Isto mesmo: pagos!!! E não empenhados ou liquidados.
Ocorre que as receitas no mês foram (até esta quinta/portal das transparências) de apenas R$ 1,513 bilhões. Destas, R$ 1,510 bilhões do Executivo. Ou seja: os pagamentos do governo no mês de agosto superam até aqui as receitas do mês em R$ 49 milhões.
A situação é recorrente. Senão vejamos: em maio, o governo pagou despesas de R$ 2,4 bilhões. As receitas totais daquele mês foram de R$ 1,765 bilhões.
No mês de junho, as despesas pagas pelo governo alcançaram R$ 1,772 bilhões para receita mensal de R$ 1,677 bilhões.
No mês de julho, as despesas pagas somaram R$ 1,710 bilhões para receitas de R$ 1,427 bilhões. Dos pagamentos de julho e agosto, cerca de R$ 200 milhões foram para empreiteiras e empresas de saúde.
Entre o empenhado e pago de janeiro até hoje, há, entretanto, uma diferença de R$ 1,230 bilhões a pagar. Ou seja, que o governo recebeu o serviço (liquidou) e não acertou.
Como no portal das transparências o governo registra também que pagou R$ 13,2 milhões a mais do que o liquidado este ano, deve estar quitando também restos a pagar.
Um turbilhão que vai explodir no fechamento do exercício.


