O senador Eduardo Gomes (PL) enfrentando a xenofobia ignara eleitoral.
Motivo: escolheu um empresário paulista para 1º suplente. Para os de sempre, um suplente não poderia ser rico e nascido em outro Estado.
É provável que a querela não vá adiante por fragilidade de fundamentos.
O mesmo ocorreu em 2018 (com Ogari Pacheco/patrimônio de R$ 407 milhões) e Eduardo saiu das urnas com a maior votação depois de quatro anos sem mandato.
E hoje desponta com reeleição consolidada pelas pesquisas. É ainda vice-presidente do Senado. Ou seja, o fator-Ogari que se criticava foi aceito pelo eleitor.
Antes, uma anotação: dos 13 candidatos a senador no Tocantins nestas eleições, apenas quatro são naturais do Estado. Ou: 30%. São 70% de imigrantes.
Ignorar o fato é xenofobia pura desgarrada do eleitor. E ambiciosa hipocrisia dos reclamantes.
Como não recebem igual potência de resistência, a naturalidade, deduz-se, não seria empecilho.
Sobrando para a guerra político-cultural os R$ 677 milhões declarados por Luiz Pastore, 1º suplente de Eduardo. Mas no Estado e no país ainda não é proibido ser rico.
É uma distorção? Pode ser, a depender do ponto de vista. No Estado, cerca de 71% dos moradores (dados do último censo do IBGE) nasceram no Tocantins.
Se a legislação (e a população) seguissem Darci Ribeiro, a cultura local deveria prevalecer sobre a imigrante. Mas o princípio da repesentação é outro diferente do antropológico.
Cumprindo, o suplente, os requisitos da lei eleitoral dos prazos de domicílio eleitoral e filiação partidária, não há nada que impeça um empresário de outro Estado integrar a chapa majoritária.
Pastore já foi suplente de senado em outros dois Estados. E controla uma das maiores indústrias de metalurgia no país (Ibrame).
Tem livre trânsito no Congresso. E já esteve com a Federação das Indústrias do Estado. Pode ajudar mais o Estado do que um curraleiro sem idéias, projetos ou networking
Não deixando de lado o potencial mineral do Tocantins, carente de indústrias de transformação.


