A ex-prefeita Cínthia Ribeiro (PSDB) foi ao X (@CinthiaCRibeiro) no final da tarde desta segunda para passar recibo de fragilidade política quando, supõe-se, pretendesse, diante das circunstâncias, dar demonstração de potência.
Cínthia não nominou (e não precisava) o deputado federal Vicentinho Jr (PP) mas direcionou-lhe, não só acusações de fazer uso da direção nacional do PSDB para tomar-lhe o partido, mas sugerindo desvios morais e de índole.
Vicentinho conversa com Cínthia, Marconi, Aécio e líderes do PSDB há mais de duas semanas. Esteve pessoalmente com a ex-prefeita e, ao seu modo, disse-lhe do seu projeto. Público.
A reação afetada desta segunda, desta forma, se daria, na pior das hipóteses, com atraso de 15 dias. É algo que compreende-se no privado.
Mas na política é sempre mais produtivo o diálogo à retórica. Acusações, não raro, retornam ao ponto de origem. Política é a arte da conversa. E não da guerra.
A reação de Cínthia contribui para perda de ativos da ex-prefeita que tem, sim, trabalho prestado na Capital. Mas não dispõe de representação politica. Ou seja, não tem mandato.
Se o PSDB nacional (e partidos são entidades nacionais, lembram-se?) não observasse pertinência na proposta, assim, não deixaria escorrer o assunto sensível destes por duas semanas!!!
Ainda mais necessitando fazer mais deputados federais para não cair na cláusula de barreira. Cinthia tem reunião amanhã com o presidente Aécio Neves.
Esse mesmo PSDB nacional retirou do então deputado federal Paulo Mourão (no final da década de 90) a direção regional tucana e a entregou a Siqueira Campos (então no PFL). Intervenção feita por FHC e José Serra.
E o que dizer da própria Cínthia Ribeiro que tornou-se presidente regional (e candidata à reeleição na Capital) após uma intervenção nacional na comissão presidida por Ataídes de Oliveira.
Na publicação desta tarde Cínthia cita a tentativa de intervenção de Carlos Gaguim na presidência do Democratas, dirigida então pela deputada (e hoje senadora) Dorinha Seabra.
O problema é que, diferente de Cínthia hoje, Dorinha preferiu outra estratégia política de convencimento no DEM.
Não passou recibo da rasteira, não foi às redes apontar traições, conseguindo, com a conduta equilibrada, manter o respeito (e a posição) que conquistara da direção nacional.
Cínthia pode até conseguiu o que pretende por enquanto.
Mas ao preferir a retórica acusatória ao diálogo, no ano eleitoral, não favoreceu a estratégia inclusiva que necessita o PSDB na circunstancial carência de votos e deputados.
Poderia até mesmo dizer não!! Até porque se a nacional fizesse a intervenção, seria dela, Executiva nacional, a responsabilidade e ônus da decisão. E não do deputado.
Pedir, afinal, não é proibido.

