NOTA PÚBLICA
Recebi com profunda indignação as informações e os áudios que vieram a público nesta segunda-feira, 7, sobre a tentativa de transferência de uma criança em estado grave, internada no Hospital Regional de Augustinópolis, no Bico do Papagaio.
O próprio diretor da unidade relata, no áudio, a angústia diante da demora por uma resposta da Regulação Estadual para que o paciente pudesse ser transferido para uma unidade com a estrutura necessária em Araguaína.
É impossível ouvir um relato como esse e tratar o episódio como apenas mais um problema burocrático da saúde pública no Tocantins.
Trata-se de uma criança. De uma vida. De uma família que, naquele momento, dependia do Estado para garantir o atendimento que pode fazer a diferença entre viver e morrer.
Se há uma estrutura estadual de regulação responsável por organizar o acesso aos leitos e encaminhar pacientes para unidades adequadas ao seu quadro clínico, é preciso saber por que uma transferência de um paciente grave chegou a esse nível de demora e angústia.
Não cabe aqui transformar o sofrimento de uma família em disputa política. Cabe cobrar responsabilidade, transparência e humanidade.
A saúde pública não pode funcionar na base do aguarde a resposta, enquanto profissionais de saúde, familiares e pacientes vivem momentos de desespero.
Regulação existe para garantir acesso. Gestão existe para resolver problemas. E o Estado existe para proteger vidas.
Como mãe e como alguém que já teve a responsabilidade de administrar uma capital, sei que a gestão pública enfrenta dificuldades todos os dias. Mas também sei que, diante de uma emergência, não há espaço para omissão, desencontro de informações ou falta de comunicação.
Por isso, defendo uma apuração imediata e transparente sobre o que aconteceu em Augustinópolis. A população do Bico do Papagaio merece respostas. Os profissionais que estão na linha de frente merecem respeito. E aquela criança, acima de tudo, merece que todas as estruturas do poder público tenham feito e façam tudo o que estiver ao alcance para preservar sua vida.
Vida não pode esperar. Criança não pode esperar. Saúde não pode esperar.
É preciso ter responsabilidade para reconhecer o problema, coragem para corrigir as falhas e humanidade para não permitir que a burocracia seja maior do que a urgência de salvar uma vida.
Palmas, 08 de setembro de 2026
Cinthia Ribeiro
Ex–prefeita de Palmas


