Foram três dias de celebração da Festa da Colheita, no povoado Mumbuca, em Mateiros, com uma extensa programação que incluiu cavalgada, torneio de futebol, desfile e shows com artistas regionais, como Núbia Dourado, e até nacional, como a dupla gospel Daniel e Samuel, atração de encerramento.
Selo 35 Anos do Tocantins
Durante o encerramento da Festa da Colheita, o governador Wanderlei Barbosa fez o lançamento do selo dos 35 anos do Tocantins.
Ao convidar o público para participar da programação alusiva à data, que inclui feira de artesanato e shows nacionais, o governador confirmou a presença das duplas: Maiara e Maraísa, Anavitória, Lauana Prado, Evoney Fernandes, Rick e Renner e Flaguim Moral, artistas tocantinenses conhecidos em nível nacional.
Festividades da colheita
A Festa da Colheita é organizada pela Associação da Comunidade Mumbuca desde 2010. A presidente da associação, Railane Ribeiro da Silva, explica que começou como um culto de agradecimento pelo início da colheita e com o passar dos anos foi crescendo, acrescentando programações esportivas e culturais na festa. Ela reconhece que a festa da colheita tomou grandes proporções, com o apoio de muitos parceiros, como o Governo do Tocantins, através da Secretaria do Turismo (Setur). “Nunca tivemos uma estrutura como essa, com palco, gerador, artista nacional, só temos a agradecer aos parceiros”, sintetizou.
Este ano, um dos momentos mais festivos foi o desfile ocorrido na noite de sábado, dia 16. Crianças, homens e mulheres da comunidade desfilaram na passarela, sendo muito aplaudidos pela plateia de autoridades, visitantes e moradores do quilombo. As filhas de Dona Miúda, Dona Dotora e Dona Antônia também desfilaram com adereços feitos de Capim-Dourado.
A pequena Miss Tocantins Turismo Baby 2023, Alice Gabriely Fernandes Araújo, de 3 anos, quilombola de São Félix do Tocantins, chamou a atenção ao desfilar com seu vestido com detalhes em Capim-Dourado.
Desfile
O desfile mais esperado levou à passarela cinco modelos exclusivos de vestidos costurados com a ajuda das artesãs da comunidade Mumbuca e assinados pelo estilista tocantinense Luiz Fernando Carvalho.
Todos os modelos foram confeccionados com tecido em seda dourada, com muitos detalhes em Capim- Dourado e alguns com o toque da palha do buriti. Aliás, a viola de buriti, outra tradição do Mumbuca, dividiu a atenção do público com o reluzente capim dourado, estrela da noite.
“O desfile foi sensacional, além do que eu esperava, os cinco vestidos ficaram incríveis”, avaliou Railane.
Tradição e celebração
A Festa da Colheita é uma forma da comunidade Mumbuca manter viva a tradição cultural dos moradores mais antigos do povoado, marcada pela colheita do capim dourado e produção do artesanato em capim dourado com a seda do buriti. É considerada a maior festa cultural do Jalapão.
A colheita também representa um momento de celebração da memória de Dona Miúda, artesã ícone do Povoado Mumbuca, e principal referência do artesanato em Capim-Dourado, que faleceu em 2010, aos 82 anos. Dona Dotora, filha da dona Miúda, e atual líder da comunidade Mumbuca, revela que uma das preocupações de Dona Miúda sempre foi manter viva a tradição do capim dourado pelas novas gerações e o legado que ela construiu. “A festa da colheita é um momento de alegria imensa, porque a mamãe deixou uma fortaleza na sua geração e a cada dia a gente tem que fortalecer a nossa cultura”, destacou Dona Dotora.
Capim é riqueza
Dona Antônia, outra filha de Dona Miúda, fala como o capim dourado mudou a realidade dos moradores do quilombo. “O Capim-Dourado para nós é a coisa mais linda do mundo, nós não tinha casa pra morar, nós não conhecia carro bonito, não conhecia nada, através do capim dourado, Deus em primeiro lugar e em segundo lugar esse Capim-Dourado que nós conhece gente bonita, conhece carro bonito, conhece as coisas boas”, agradece Dona Antônia erguendo para o alto um feixe de Capim-Dourado. “Minha mãe deixou uma história de riqueza para o Tocantins, para o Jalapão e para o Mumbuca”, completa a artesã.
A colheita
Além de manter a tradição, as mulheres mais antigas da comunidade ensinam como manter o legado do capim dourado. E para que isso seja possível é preciso colher o capim no tempo certo. Dona Santinha, sobrinha de Dona Miúda, mas que foi criada por ela e a considera mãe, lamenta que alguns façam a colheita fora do período porque o capim não está pronto para ser colhido. “Além do artesanato ficar feio não se aproveita a semente para que nasça um novo capim no ano seguinte”, explica. Ela agradece o apoio do Naturatins para que o capim seja preservado.
O secretário Hercy Filho destacou que a festa da colheita se consolida, devendo ser incluída no calendário turístico do Estado e se tornar uma opção para os turistas do Brasil e do mundo.
“Nós queremos que este produto, que é o Capim-Dourado, que esta simbologia da sua colheita, seja vista pelo Brasil e pelo mundo”, destacou o Secretário do Turismo, enfatizando a importância dada à celebração pelo Governo do Estado. “O Governador autorizou e pela primeira vez houve uma Festa da Colheita a altura do povo do Mumbuca e de Mateiros”, ressaltou Hercy Filho.


