Jair Bolsonaro tem sido acusado de abrir a sucessão de 2022 após dar um rabo de arraia na Petrobras e agora diz querer mexer no preço da energia. Os de sempre retomam a questão de mercado livre, ameaças de desabastecimento, câmbio do dólar e blablabla.

É como se apenas o consumidor dependesse do mercado e este não necessitasse dele para existir. É como se o mercado produtivo pudesse sobreviver sem o consumo. Trucam e sempre levam no blefe porque já encheram as burras e podem administrar oferta e demanda. E o consumidor não tem estoque nem de grana nem de produto. E aí, é jogado contra as paredes pela inflação dos preços oriunda.

O economês da lógica de mercado só atende aos empresários que não entram com nada, repassam os preços e levam o lucro limpinho. O consumidor/contribuinte é obrigado a pagar tudo e mais um pouco: as isenções fiscais que aumentam o faturamento das empresas. O caixa dois de campanha eleitoral garante que continuem ganhando e o cidadão permaneça sendo tungado.

No Tocantins o contribuinte entregou ao governo de ICMS cobrado na bomba de gasolina no ano passado R$ 1 bilhão e oito milhões. Como o ICMS da gasolina no Estado é 27% (fora a Cide, PIS/Cofins) - diesel é 13,5% - a movimentação nas bombas aproxima-se de R$ 3,8 bilhões no ano.

Já na energa elétrica (alíquota de 25%), o consumidor pagou de imposto ao governo em 2020 um total de R$ 304 milhões de ICMS sobre um faturamento de R$ 1,2 bilhão. E ainda tem a taxa de iluminação pública e as faixas da Aneel.

Somando os dois setores, tem-se que o consumidor pagou de imposto algo próximo de 3,2% do PIB estadual só na energia e combustível. Setores que movimentaram, juntos, cerca de 12% do Produto Interno Bruto do Estado.

Como energia e combustível são itens essenciais, não haveria (fora do economês) justicativa para uma alíquota de quase um terço do valor da conta sob pretexto de simples circulação da mercadoria que não apenas orçamentário-financeira dos governos. 

Uma lógica que aponta que quanto mais necessário o produto e maior número de pessoas dele dependentes, mais elevada a taxação e mais facilidade de cobrança por que quase compulsória. Quando racionalmente deveria ser o contrário, especialmente em um país de extrema pobreza. No Estado mais ainda.

E aí quando o Presidente toca nos preços e nesta equação  maluca, o mercado treme!!! O dólar sobe!!! A bolsa cai!!! Uma reação dos ricos e da banca que estão a defender não o tal mercado ou o fornecimento dos produtos/serviços. Mas os seus preços. E tem ao seu lado aqueles que eleitos deveriam ser os responsáveis pela reação do outro peso da balança: dos consumidores.

O resto é pura enganação. Jair Bolsonaro está certo ao enfrentar o economês. Ainda que se possa discordar da forma como o faz.

 

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Ponto Cartesiano

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