Segunda-feira, 2 de Mar de 2026

Bolsonarismo vai às ruas com metade do público do ano passado exercer o direito da livre expressão que diz não ser permitido no país. E pedir anistia ao presidiário Jair Bolsonaro que tentou dar um golpe na democracia brasileira

02/03/2026 97 visualizações

O bolsonarismo manteve ontem sua pauta difusa: liberdade para Jair Bolsonaro (preso por tentar dar um golpe no país), contra o governo de Lula e de defesa do governo Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro chegou a dizer que o ato não era contra o STF, apesar dos ministros terem sido escrachados pelos demais oradores.

O  Número 1 tem registrado desempenho eleitoral melhor do que o pai, diante das circunstâncias. E pesquisas o colocam encostado em Lula. Ou seja, tem substância eleitoral por enquanto.

No palanque, entretanto, os demais oradores não fizeram nada diferente daquele pensamento de Eduardo Bolsonaro (na bica da prisão): ““Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo.”

Ainda que reunindo metade do público dos atos do ano passado (Cebrap/USP) o bolsonarismo exerce o direito da livre manifestação que diz não existir no país.

No Estado, não houve manifestação destacada. O bolsonarismo perdeu para o PT em 2018  e 2022.

No objeto, faz uso da rejeição ao PT na sociedade para outra leitura alternativa do governo Lula. E sem apresentar um projeto diferente para melhores resultados.

Enquanto o PIB no governo Bolsonaro cresceu 1,2%, nos dois primeiros anos de Lula a média foi a 3%.

A inflação média anual de Bolsonaro ficou em 6,17% e 4,57% em Lula. Já o desemprego, que em Bolsonaro era 7,6%, caiu para 5,2% com Lula.

De outro modo: a economia cresceu em Lula mais que o dobro de Bolsonaro, a inflação caiu quase a metade e o desemprego um terço. E isto não é uma questão de opinião.

Qual seria então o referencial de governo do bolsonarismo? Qual seria a régua? E que números o sustentariam na oposição a Lula?

Para manter um discurso coerente e plausível tem que encontrá-los. Até para convencer parte considerável da direita refratária a extremistas e que deram a vitória a Lula em 2022.

Ah, LA, mas tem o Lulinha.Sim!! Mas também o Flávio e o Carlinhos. As rachadinhas, a loja de chocolates, o comércio de jóías do governo...

E o que dizer da corrupção com os pastores evangélicos no Ministério da Educação e na compra de vacinas!!! E os 700 mil mortos na pandemia?

Ademais, enquanto Bolsonaro demitia ministro da Justiça e a cúpula da Polícia Federal por investigar seus filhos, Lula dá, como determina a lei, liberdade à PF para fazer o que achar necessário. Não só com o seu, mas com qualquer um.

Talvez por isto Flávio tenha dito ontem que, eleito presidente, a primeira medida será conceder anistia a Jair, condenado a 27 anos por tentar dar um golpe de estado na democracia brasileira.

O bolsonarismo vai ter que calibrar sua pauta. Coisa que Flávio, parece, tem começado a entender com a mudança de discurso. Já defende até o STF como fundamental para a democracia, como o fez ontem.

Falta, agora, convencer o bolsonarismo-raiz.

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