A movimentação do deputado Amélio Cayres na sucessão estadual se encaixaria perfeitamente no caso das coisas que não são ainda, mas que tem potência de ser.
E tem despertado certo incômodo daqueles que o enxergavam restrito e destinado definitiva e infinitamente ao perímetro das coisas que não são.
Amélio faz na resistência ao chapão UB/PL aquilo que seria obrigação de Wanderlei Barbosa.
Afinal, discutir composição com uma chapa já formada não é discussão coisa nenhuma. E sim endosso.
O presidente do Legislativo, desta forma, tem argumentos e potência insofismáveis para um arrasto no vôo de Eduardo Gomes/Carlos Gaguim/Dorinha Seabra.
Não bastasse o desempenho administrativo e fiscal do Legislativo, tem liderança na Casa e foi decisivo nos governos de Wanderlei na pauta legislativa.
O Republicanos, além disso, elegeu em 2022 três deputados federais e sete estaduais. Em 2024, fez 56 prefeitos.
PL e UB juntos elegeram três federais e cinco estaduais. Nas prefeituras (2024), UB e PL elegeram apenas 40 prefeitos.
De outro modo: PL e UB não dão um Republicanos.
Tem ainda o governador do Estado e o presidente da Assembléia Legislativa. Isto não é desempenho de coadjuvante.
É situação que empurraria a senadora Dorinha Seabra a buscar pacificação.
Mas a parlamentar tem se comportado como “coisa” resolvida, deixando questões tais para interlocutores, movida pelas circunstâncias jurídicas de Wanderlei.
Tem-se aí pelo menos três questões:
1) Amélio pode arrastar prefeitos e deputados para uma chapa do Republicanos; 2) Wanderlei entregar seu futuro político a Dorinha (que eleita, pode ser reeleita), tratando o partido como patrimônio pessoal e 3) o Republicanos entrar em extinção no Estado.
Ou ainda: Wanderlei fazer como Pilatos, aceitar Amélio e Dorinha disputarem governo e não subir no palanque nem de um ou de outro.
Uma traição àquele que o livrou do impeachment. E sujeito à avaliação de contrapartida a especuladas ações do chapão a seu favor no STF.
Em troca de nada. Apenas pelo destino de Wanderlei que não depende de política e que não é o dono dos mandatos.
Como Wanderlei parece não liderar mais o partido em favor das questões partidárias próprias (e sim de outros interesses), a lógica indica que se trocasse o comando.
Ficaria até mais leve para o governador do Estado. E melhor para o Republicanos.


