A estratégia protelatória de Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a forma como se movimenta a senadora Dorinha Seabra (UB) não é tranquilizadora a parlamentares interessados na reeleição nem a novos pretendentes a cargos proporcionais.
Para termos de comparação (excetuando-se a média anual de 2,5% de crescimento do eleitorado), o quociente eleitoral de 2026 para deputado estadual pode ficar próximo dos 34.763 votos (como de 2022).
Significa que um partido (somando os votos de todos os seus candidatos) tem que obter pelo menos este número de votos para eleger um deputado estadual.
Nas eleições de 2022, nada menos que 17 partidos disputaram vagas no Legislativo estadual.
Com este quociente aí, o Republicanos (de Wanderlei, cabeça de chapa ao governo) elegeu sete deputados estaduais (205.631 votos fez o Republicanos).
E o UB (de Dorinha Seabra, então candidata a senadora) fez dois deputados estaduais (66.857 votos válidos).
Caso o Republicanos faça aliança na majoritária com o União Brasil, a situação pode inverter-se: como nas eleições de 2022, o puxador de votos será a candidata do União Brasil. Efeito manada.
E aí correriam riscos os atuais sete deputados estaduais do Republicanos que não teriam referencial de poder. Isto porque a governadora seria do UB e não do Republicanos.
E não se sabe, até agora, que posição o Republicanos ocupará na chapa de Dorinha: Senado ou vice. Ou talvez, nenhuma vaga majoritária.
Sem contar secretários e prefeitos do partido que pretendem disputar o cargo. A legislação, como é conhecido, não permite coligações partidárias nas eleições proporcionais.
Mas não proíbe a conexão direta entre a candidata ao governo e os candidatos do seu partido. Até porque alianças partidárias são circunstanciais.
Vem daí parte da resistência de setores governistas no Legislativo e fermento do apoio a uma candidatura independente de Amélio Cayres ao governo.


