O PSDB/MDB aproveitaram a crise do PSD e sambaram ontem em Araguaína. O grupo se esquiva de cravar um número, mas espeta a participação de milhares de pessoas.
Mas é inegável que, pelas imagens, muita gente teria comparecido.
Ajustando um pouco a divisão de votos no segundo maior colégio eleitoral do Estado. Dominado até aqui pela candidata Dorinha Seabra, do partido do prefeito reeleito com 78,38% dos votos.
Na campanha ao governo de 2010, o Comando da PM do Estado (acintosamente apoiando a reeleição de Carlos Gaguim) criou seu próprio “eleitorômetro”.
E tascou 120 mil pessoas numa caminhada do candidato no comércio da Avenida JK. Um espaço de 800 metros entre o Bradesco e a Encanel. Gaguim foi derrotado por Siqueira Campos.
O calor da plateia no Centro de Convenções de Araguaína, no entanto, fez operar sincericídios de pré-candidatos que deveriam preocupar o eleitorado. E os próprios candidatos.
Isto porque expõem suas intenções e vísceras eventualmente no cargo. Algumas com vieses autoritários.
Um deles: o deputado Alexandre Guimarães (MDB) – pré-candidato ao Senado – fez uso da ocasião para realçar sua defesa de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
No Estado, 23,6% situam-se na pobreza. Sem Bolsa Família. Em Araguaína são 13,81%. Região do agro (enaltecido por Guimarães) que exportou R$ 16 bilhões no ano passado.
E tem se vitimizado com os recursos do Plano Safra do governo federal este ano da ordem de R$ 623 bilhões.
Destes, R$ 384 bilhões para a agricultura empresarial (das commodities) a juros inferiores à Selic. A agricultura familiar (que abastece o mercado interno/ a comida na mesa) apenas R$ 97 bilhões.
Mas vamos ao candidato ao Senado do MDB: o STF, pela Constituição da República, é a instância máxima do país.
Se deputados e senadores aprovarem uma lei contra a CF é o STF a última palavra. Já imaginou a Justiça nas mãos dos políticos?
A tese de Alexandre, combinada com outra que se expande (eleição de ministro do STF) será um Deus nos acuda.
Pelo Datafolha, 71% dos brasileiros vêm o STF como essencial para a proteção da democracia.
Observar as pautas dos candidatos (como Alexandre) poderia evitar prejuízos ao eleitor. Combatendo o sistema atual.
Na mesma Datafolha, 67% dos eleitores que participaram das eleições de 2022 não se lembram em quem votaram para deputado federal, enquanto 66% afirmam não recordar o candidato escolhido para o Senado.
Alexandre (que misturou a campanha regional com a nacional) votou a favor da redução da pena para Jair Bolsonaro, foi contra o fim da jornada 6 x 1, votou a favor da PEC da blindagem/bandidagem e pela anistia ao ex-presidente.
Tem uma posição no “mercado” em muito resultado dos seus gastos com comunicação: em três anos e meio aplicou 68,6% (R$ 343 mil de R$ 501 mil) de sua verba com divulgação.
E juntar a sua pauta ideológica reacionária ao projeto de governo de um Estado desigual como o Tocantins pode levar mais prejuízos que benefícios. Não só ao seu candidato.



