A campanha de Dorinha tem conseguido de determinados portais e redes consumir as últimas horas no lamento e crítica às deserções no grupo governista.
Quando deveria processá-las e ir às ruas. Lideranças representam apenas perspectiva de angariar votos.
E, tomando racionalmente, Dorinha não só perdeu apoios, mas os entregou ao adversário. Teria que retomá-los ou renovar o estoque.
A estratégia pós-adesões ao candidato tucano inverte acessório e principal. E inclina-se, não confrontada, a reduzir ou aumentar a percepção da população sobre um e outro.
Ontem à noite, por exemplo, o deputado do PL, Moisemar Marinho, declarou apoio a Vicentinho em evento com grande presença de eleitores e lideranças em Palmas. Mas páginas são abertas para a caça às bruxas.
Ainda que não representem voto de fato, as dissensões na campanha da Senadora já eram precificadas. Restava ao racha apenas acontecer.
E ele se deu pós-primeiro turno porque candidatos proporcionais dependiam da estrutura e forma da campanha para eleger-se e reeleger-se no primeiro. Muito embora não pudessem coligar-se.
Diferente do envelopamento de parte dos jornalistas ontem, assumindo, sem apontar fatos concorrentes, Dorinha e Wanderlei não são vítimas de traidores. É o jogo jogado do qual ambos são jogadores desde o início e tinham cartas mais fortes.
A Senadora, no entanto, fora refratária, na pré-campanha e no primeiro turno, a dialogar com candidatos. Metaforicamente, detinha o zap, o 7 de copas e espadilha. Manilha das graúdas.
Do outro lado da mesa, projetava um quatrozinho solitário.
As reclamações de deputados de que a Senadora demonstrava-lhes desprezo e sequer os telefonava são tanto públicas quanto plenárias.
Dorinha e Wanderlei negociavam a majoritária – onde também dividiram e dividiram-se – na perspectiva de uma eleição tranquila. Era só definir as partes do bolo.
Tinham a máquina nas mãos e de outro lado o vice-governador Laurez Moreira, desgastado com o amadorismo político de seus 90 dias.
Para o eleitor, foi colocado, justamente pelo grupo de Dorinha e Wanderlei, como um governador que demitiu pais de famílias. Talvez um dos governantes mais competentes e sérios do Estado.
Dorinha, agora, tem que arrastar a roseta. Como Wanderlei, tem produtos a oferecer. Mas não é consumindo tempo (e cérebro) com supostas traições que reverterá o quadro.
Tem, ambos, serviço prestado e uma melhor estrutura. Basta calçar as tais sandálias da humildade, elemento fundamental para aqueles que fazem da política modo de vida.


