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Ponto Cartesiano

Só mesmo paranóia: humorista do SBT vangloria-se de ter sido rejeitado em 21 cidades!!! Negação como aceitação!!!!

O humorista Leo Lins contrapôs-se à prefeita Cínthia Ribeiro nas redes sociais: agora é que vai falar dela no show. Uma estratégia e tanto!!!Mais: vangloriou-se de já ter seu “show” rejeitado em 21 cidades. Por aqui, sua propaganda informa que os ingressos estariam esgotados. Buscariam um lugar para o “mito” da repulsa. Deve ter quem goste de apanhar.

Ainda bem que vivemos numa democracia em que as pessoas podem decidir sobre ir e vir, aceitar ou não alguma coisa. E em que até mesmo rejeição (em duas dezenas de cidades pelo próprio humorista) pudesse ser indicador de aceitação e motivo de celebração.

O “humorista” faz o seu papel de camelô de “maldades mal humoradas” para ganhar uns trocados bem humorados. Ora, se tem gente que paga para apanhar, por que não?

Os judeus não comem carne de porco porque, pela Bíblia, o animalzinho é impuro. Cientistas confirmam que a carne de suína é uma das mais puras e que judeus não a comeriam porque o sabor é o mais próximo da carne humana. O coração do porco é o mais adequado ao corpo do homem. Humor?Não. Ciência e religião.

O “humorista” – do ponto de vista do pagante – certo modo é a afirmação e negação do masoquismo a um só tempo. Para o humorista, o jogador Daniel (assassinado com requintes de crueldade e castrado como um porco) morrera mais feliz que os jogadores da Chapecoense (mortos num acidente em que foram a óbito 77 pessoas). E porque? Daniel comera coisa melhor: intui-se, por ele provocado, a mulher do seu assassino. Um porco.

Intelectualmente para dar algum valor de face ao que faz, precisa o cidadão que o vejam como anarquista, alguém contra as regras sociais. E aí o problema: até as idéias anarquistas tem um princípio que não se encaixam, em absoluto, na pobreza intelectual do “humorismo” que pratica, incompatível com o individualismo e o coletivismo a um só tempo, um dos referenciais anarquistas. Indiferente às leis da vida e da morte.

Bons tempos os de Juca Chaves, Jô Soares, Chico Anysio, Ary Toledo que também faziam uso de “cacos” nas cidades onde se apresentavam. Mas eram apenas “cacos” e  que, milimetricamente calculados e elegantes na linguagem e construção, faziam a platéia sorrir de si mesma sem provocar-lhe o sentimento de repulsa que 21 cidades (confessadas pelo próprio “humorista”) a ele dedicaram em tão curta carreira.

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