Em Brasília, dois ministros do STF encurralados por suspeita de relações ilegítimas com investigados pela Polícia Federal/MPF (com extensões no Congresso) e no Estado expandem-se as declarações de ontem do governador Wanderlei Barbosa.
Sob pena de escalada indesejável, deveria Wanderlei explicar melhor à população qual a parte da senadora Dorinha Seabra no acordo que teria sido firmado – como mencionou - no seu afastamento.
E que exigisse de contrapartida não só a não renúncia no seu retorno, mas apoio à candidatura do União Brasil que implicaria em rifar o Republicanos.
O “faça o compromisso que tiver que fazer para retornar ao governo em Brasília e nós fizemos” atribuído por Wanderlei a Amélio Cayres (e por ele, Wanderlei, firmado) é quase surreal pela cumplicidade sugerida entre dois poderes de Estado.
Sendo que do outro lado estaria a Suprema corte do país.
Dorinha não era parte no processo, não é advogada, não é ministra do STF nem do STJ ou da PGR. E a situação de Wanderlei era jurídica e não política.
Seria financeira a dependência? Pior ainda: Wanderlei é governador de Estado. Aceitaria o UB (ou a propria Dorinha) pagar-lhe advogados? Por que?
LA, mas tem o PL e o Republicanos!!! Sim. Mas se está em jogo é um governo de Estado e denúncias de supostos desvios. Governo que ainda não é do UB ou do PL.
Dorinha sequer é do Republicanos, partido de Wanderlei. Ou o STF/STJ seriam paus mandados do Congresso!!! A troco de quê!!
Afinal, não haveria no campo político qualquer setor em que a senadora Dorinha pudesse atuar pelo retorno de Wanderlei num processo que tramita em segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça.
O território de atuação é explicitamente determinado: Brasília. E Congresso (Senado) não tem competência sobre governos e sim as Assembléias que podem afastar ou não governadores.
Wanderlei, no caso, já estava afastado pelo STJ/STF.
Wanderlei faz na média um bom governo, mas parece ter sido picado pela mosca azul de engajamentos nas redes.
A aprovação popular o tem levado a expor-se sem filtros. Uma temeridade.
Fala o que deve e o que não deve e não raro entende que pode fazer também o que não pode.
E neste caso pode trazer-lhe consequências fora do campo político onde disse ontem estar sendo perseguido.
Num Estado onde, até dias atrás, contava com a quase unanimidade parlamentar. Na Assembléia e na bancada federal. E 74% de aprovação popular.



