A nota da Secretaria Estadual de Saúde (que circulou na noite de ontem) embute na já complicada situação da pandemia no Estado mais ingrediente desnecessário (sem atingir o problema) e até mesmo contraditório. Ainda que se perceba movimentos do governador Mauro Carlesse para conter a pandemia, a Saúde parece não discernir a questão, considerados o diversionismo (e aceleração) de determinadas ações.

A Secretaria, acredita-se na mais absoluta boa vontade e fé, reforça  na nota  (como seu próprio pretexto) a importância da Atenção Primária nos casos leves e de identificação precoce do Covid-19. O impulso, pela lógica, é o colapso no sistema público estadual. E que, também pela razão necessária, exigiria apontamentos mais cirúrgicos (como medidas mais duras de restrição e comando), a exemplo de outros Estados, a realces burocráticos.

No popular: joga,agora, o problema para os prefeitos. Ainda que a legislação não comporte dúvidas acerca das responsabilidades de Estado e municípios. Atenção primária no SUS é da prefeituras. Alta complexidade, dos Estados. Relação nem sempre observada no Tocantins. O HGP está aí para comprovar. Mas que se observe: o governo (Saúde) também recebe recursos do Ministério da Saúde para atenção primária.

Como é público e notório (e a Saúde o enfatiza na nota) os pacientes são transferidos após regulados pelo Sistema de Regulação. De outro modo: o filtro é a própria Saúde que faz e as inconsistências estão na logística e não no sistema. 

Dias atrás um paciente grave de Covid-19(com diversas comorbidades) em Porto Nacional só conseguiu UTI Móvel depois de mobilização desesperada de parentes e amigos. E da força política do grupo familiar tradicional da cidade.  Depois de regulado!!!

E onde a contradição: quando a Saúde via o Covid-19 sob controle (um erro de cálculo fenomenal assim como ocorreu em outros Estados) no período eleitoral, o governo cobrou das prefeituras a aquisição de UTIs Covid nas unidades básicas de saúde dos municípios.

E que os deputados convenientemente (do ponto de vista político eleitoreiro) até hoje cobram. Especialmente da prefeitura de Palmas. Um tratamento de alta complexidade que, pelo entendimento agora colocado, não seria responsabilidade dos prefeitos a quem caberia (como sempre coube) somente a atenção básica.

No que realmente interessa, a Saúde patina: precisa contratar mais leitos UTI Covid (sistema colapsado), não dá indicativo de se mover para comprar mais vacinas como se movimentam os demais Estados (foram aplicadas até ontem apenas 52.436 vacinas/3,3% da população).

Enquanto isto, o isolamento social diminui na proporção do aumento de mortos e contaminados (ontem era de 28,7%/o menor do país) e permanece o poder público paralisado, quando as outras unidades da federação decretam lockdow para conter a contaminação que já matou no Tocantins 1.509 pessoas no Tocantins em menos de um ano.

E que registra (como ontem) 788 contaminados contra os 711 contaminados de anteontem, e os 620 registrado na quarta.

E a Saúde discutindo e preocupada com quem faz o quê, como e com que roupa.

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