O Palácio ainda não informou se o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) seguirá Ronaldo Caiado (UB) na manifestação Pro-Jair Bolsonaro no próximo domingo em São Paulo. No Estado, os eleitores escolheram um lado: 51,36% da população disseram Não em 2022  ao projeto político do PL para o país.

Wanderlei, como é público, tem sugerido separar a questão partidária da administração pública. Há escolhas, entretanto, que, mais que antecedem projetos políticos e partidários, os subordinam.

Uma delas é a democracia representativa que os permite, indiscutivelmente abolida nos projetos autoritários de poder. O historicismo político está aí nos livros. E no Google. Bem como o materialismo histórico dele correspondente.

Em Goiás (cuja maioria de votos para presidente foi para Bolsonaro/58,71% dos votos válidos/2.193.041 votos) Caiado já enfrenta pressão pela divulgação de que a TV Brasil Central (a RedSat de lá) irá transmitir ao vivo o ato de Bolsonaro.

Um acinte aos cofres públicos, claro. Não creio que chegará a tanto. Mas a informação está nas redes sociais da TV Brasil Central (a tv pública do Estado).

Ronaldo Caiado já se colocou como pré-candidato do bolsonarismo a presidente (já disputou uma eleição presidencial vencida por Fernando Collor em 89, a primeira eleição direta para presidente após a ditadura).Tem outros postulantes, vai ter que, como os demais pretendentes, construir uma candidatura.É do jogo.

Se verdadeira a informação do uso da TV Brasil Central, estaria, entretanto, praticando um crime semelhante ao de Jair Bolsonaro no 7 de Setembro de 2022,  agora também investigado  pelo STF. A acusação é de ter feito uso de recursos públicos gastos na solenidade para atrair público a um comício no mesmo local, hora e dia.

Um desvio de função do direito público dado que o evento a ser realizado no domingo em São Paulo é político-partidário e o custo será distribuído aos demais 1.542.115 eleitores e contribuintes (41,29%) que não votaram no Capitão no Estado. E sim no seu adversário.

O caiadismo tem histórico de violência na história de Goiás. No Tocantins, foi um dos elementos da chacina do Duro/Dianópolis (impulsionada por Emival Caiado) e que resultou no livro clássico (e também filme) O Tronco (Bernardo Élis).

Obra muito criticada por ser acusada de representar uma versão caiadista da chacina na década de 20 do século passado. Com efeito, Élis era um bom escritor mas tinha lá suas preferências políticas e aristocráticas. E era muito vaidoso.

Dizia o jornalista Batista Custódio (Cinco de Março/Diário da Manhã/Edição Extra) que conheci e admirava nos textos-referência do jornalismo não só goiano mas do país:

“Enquanto houver um Caiado no governo existirá sempre um Ludovico correspondente na oposição, e vice-versa, transformando o poder num rodízio de mandonismo entre as duas famílias, como se o povo goiano fosse gado que se aparta, marca e tange no curral das eleições”.

Evidentemente havia mais humanismo no luduviquismo. Pedro Ludovico e dona Gercina morreram com vida franciscana na casa da Rua 26. Diferente dos membros da oligarquia Caiado.

O luduviquismo se foi. Mas o caiadismo tenta retomar com força com Ronaldo Caiado, um dos fundadores da maior entidade conservadora política da década de 80: a União Democrática Ruralista.

Se no antigo Norte de Goiás o caiadismo tinha suas franjas no Estado, que eram aliadas de Totó Caiado (avô de Ronaldo que é primo do ex-governador goiano Leonino Caiado, indicado pelos militares) – o deputado portuense, médico Francisco Ayres rachou com a família por isto – a história parece, agora, unir os dois Estados políticos, com a aparente aderência político-partidária de Wanderlei Barbosa ao governador goiano.

É ver se Wanderlei irá à manifestação paulista em defesa de Bolsonaro que ontem ficou calado (um direito) no depoimento à Polícia Federal. Apenas um dos que responde pela tentativa de golpe no estado democrático de direito.

Mas tem ainda o escândalo das jóias, das rachadinhas, das mais de 700 mil mortes da Covid.Ou seja, não é só uma questão de direita ou esquerda. É uma foto que quer Jair Bolsonaro em que não seria a melhor escolha para aparecer no próximo domingo como papagaio de pirata.

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1 Comentário(s)

  • Deijayme Aires Jr
    23/02/2024

    Resta saber de qual "democracia representativa" estamos falando, aquela onde 11 juízes impedem por 4 anos o projeto político vencedor de 2018 ou aquela que "deselege" um campeão de votos baseado num SUPOSTO FUTURO CRIME ELEITORAL, ou quem sabe aquela democracia relativa onde um presidente vencedor não pode escolher um mero diretor de autarquia mas outro presidente descobdenado pode escolher seu advogado particular para uma cadeira na suprema corte, ou quem sabe ainda aquela democracinha que condena donas de casa à 17 anos sem direito à uma defesa plena de sustentação oral de um advogado!!! Tempos estranhos esses onde Democracia virou justificativa para se vilipendia e acabar mesmo com o ESYADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Deus me proteja por essas palavras, afinal, nessa "Democracia relativa", posso até ser preso por emitir uma opinião!!! Claro, pela "democracinha…"

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