A Lei Orgânica de Palmas ainda não foi corrigida nos portais das transparências. Mas os vereadores alteraram por emenda a data de eleição da mesa diretora.
A alteração foi no dia 26 de fevereiro último com a Emenda nº 75. Modificaram o artigo 20, ainda que não os tivesse alterado no portal oficial.
Do último dia da primeira metade da sessão legislativa (como ainda está lá) – 30 de junho como apontado ontem por este blog – a renovação da mesa diretora foi alterada para o dia 1º de outubro.
De três meses (90 dias) antes das eleições de 4 de outubro, os vereadores decidiram eleger no novo presidente (2027/2028) nas vésperas da eleição de 4 de outubro.
É pergunta é: que demanda pública (ou política) justificaria datar as eleições na presidência da Câmara para a três dias das eleições estaduais.
E por que não depois das eleições (no início da nova sessão legislativa) ou antes da campanha eleitoral?
Arrisco: o presidente eleito em junho teria uma expectativa de poder para 2027/2028 (com implicações nas eleições municipais de 2028) com maior prazo de uso na captação de apoios para as eleições estaduais deste ano. A moeda.
Já o presidente eleito a três dias das eleições teria, a priori, reduzida essa margem de uso do poder político do cargo.
Tendo a outra leitura: o grupo dominante de apoio a um candidato a presidente esticaria o prazo para declarar esse apoio com a finalidade de explorar ao máximo a contrapartida dos votos na mesa.
Ou seja: o voto para eleger-se presidente da Câmara de Palmas sairia, assim, mais caro. Na economia, insegurança gera juros mais altos.
Na Câmara não se toca no assunto. Mas não há dúvidas de que dois grupos disputam, nas atuais circunstâncias, um cabo de guerra no protagonismo na cidade: Eduardo Siqueira e Wanderlei Barbosa.
Ambos ainda aliados da pré-candidata Dorinha Seabra (UB).
O grupo de Wanderlei (Republicanos/PL/PP/UB) tem ali 12 dos 23 vereadores. O prefeito Eduardo (partidariamente) pode contar com apenas seis (PSDB/PSB/Podemos).
Há outros dois flutuantes (PT/Avante). Mas, no encaminhamento de projetos, Eduardo tem obtido uma maioria circunstancial que pode ser, dependendo do projeto, meramente artificial.
E que origina-se da própria extração eleitoral: o grupo de Eduardo saiu das urnas em 2024 com 53,03% dos votos contra 46,97% do grupo de Wanderlei.
Mas a pergunta não desiste: porque 1º de outubro e não, por exemplo, 30 de junho, 2 de setembro, 10 de novembro, 15 de dezembro, 1º de janeiro...ou 25 de Natal?



