O movimento pela candidatura de Mauro Carlesse ao Senado tem o aval de Laurez Moreira, como apurou o blog e o antecipou na manhã de ontem.
De forma que a expressão (também ontem) do deputado Gutierrez Torquato (ao T1 Notícias) de defesa do ex-governador para o Senado apenas segue o fluxo.
Pode ser apenas uma alternativa de negociação. Mas a estrutura de Mauro Carlesse e a trajetória de ex-deputado e ex-governador não atrai o papel de peão manipulável.
E integraria a estratégia de criação de ambiente favorável à publicação oficial da escolha do ex-governador. Gutierrez é criatura de Laurez.
A filiação da senadora Kátia Abreu ao PT teria deflagrado uma guerra de posições no grupo. Aberta com a nota meio-lá e meio cá do senador Irajá Abreu.
A movimentação de Lula sinalizava o contrário: aliança à oposição para garantir o segundo turno.
Não há dúvidas da força política de Kátia, ex-ministra, ex-deputada federal e ex-senadora por dois mandatos. Uma das líderes mais reconhecidas no país.
E que já demonstrou ser leal ao PT. Apesar de ter presidido também o PSD no Estado.
Laurez já era pressionado: das três chapas colocadas, a dele só tinha preenchidas duas vagas. Nas demais, três já estariam definidas.
E contam, ambas, com dois e três partidos na majoritária (MDB/PSDB e PL e Federação UB/PP). E Laurez, até agora, só tem, na chapa, o próprio: PSD.
A opção-Carlesse, por outro lado, reforça o núcleo duro do PSD refratário, aparentemente, a negociar cargos com o PT. Dificultar para ceder e não perder.
Eleitoralmente, o PT foi maior que o PSD nas eleições ao governo em 2022: Paulo Mourão teve 10,64% dos votos e Irajá Abreu apenas 7,61%.
O PT sozinho (Federação PV/PT/PCdoB dividida) e PSD com sete partidos coligados:PSD, PSB, PP, Avante, Patriota, PRTB, PROS
O PSD não teria outra saída. A não ser que se fie numa posição salomônica de "direita-direita" e duvide da divisão de votos com os declarados e assumidamente bolsonaristas já postos.
O PSD nacional ainda não tem certeza se vai de Lula, Caiado ou Flávio Bolsonaro. É situação que empurra o PT (e Kátia) para o lado oposto.
Se confirmada a indicação de Mauro Carlesse ao Senado, evidentemente que Laurez não irá entregar a disputa de governador para Kátia ou outro líder do PT. Terá tão somente a vice-governadoria.
Conclusão óbvia: Carlesse no Senado reduz as probabilidades de Laurez ser o palanque de Lula e do PT no Estado.
A não ser que o Partido dos Trabalhadores e o proletariado concordem com o vice-reinado.



