Dias atrás apontei a excentricidade do Executivo promover orçamento suplementar à Agência de Obras no valor de R$ 1,7 bilhão.
Antes da abertura do orçamento e fazendo da negociação dos empréstimos com o BB receitas de superávit.
O TCE, que é pago para fiscalizar, parece ter considerado normal suplementação orçamentária antes da abertura do orçamento.
E entendido que renegociação de financiamentos de R$ 1,7 bilhão se constituiria em novas receitas de R$ 1,7 bilhão.
Numa conta absurda, R$ 1,7 bilhão (soma de papagaios renegociados) se transformariam em R$ 3,4 bilhões de dívidas. O dobro do pedido de empréstimo aprovado pelo Legislativo.
Isto considerando a tese de suplementação por superávit projetado pelo governo. Passivo financeiro se transformaria em ativo financeiro.
Uma espécie de derivativo igual a cadernetinha do pindura do português da padaria.
Só que pelo contrário: ao invés de ser depreciado pelo risco do recebimento do fiado, o governo o apreciou precificando lucros e dividendos.
É, assim, desnecessário apontar que o aumento das despesas com penduricalhos (aprovada ontem pelos conselheiros) não terá problemas no Legislativo ou Executivo.
São conselheiros que tiveram (nos últimos doze meses) diárias de R$ 1 milhão e 100 mil. E já empenharam para este ano R$ 1,2 milhão de combustíveis.
Os conselheiros (que receberam em janeiro de 2026 salários acima de R$ 100 mil (quando o teto é R$ 41 mil) – está lá no Portal das Transparências – transformaram as diárias em um 15º salário (o 14º são os penduricalhos).
Foram R$ 1,1 milhão limpinhos porque diárias não pagam imposto de renda. Vejam o que ganharam de diárias de janeiro de 2025 a janeiro de 2026 os sete conselheiros.
Alberto Sevilha: R$ 278 mil e 753
Severiano Costandrade: R$ 337 mil e 666
José Wagner Praxedes: R$ 105 mil 082
Doris Coutinho: R$ 161 mil e 443
André Matos : R$ 166 mil e 234
Manoel Pires: R$ 37 mil 798
Napoleão Sobrinho: R$ 14 mil e 887
Somandos os salários, teve conselheiro que teria recebido - não é difícil projetar - algo próximo de R$ 1,6 milhão por ano em 2025. Ou: R$ 130 mil mensais para subsídio legal de R$ 41 mil.
E ainda querem mais. No Tocantins (MDS desta quinta) abriu janeiro com 370 mil famílias no Cadastro Único.
Destas, 133 mil famílias (532 mil pessoas) em situação de pobreza (36%) com renda familiar per capita mensal abaixo de meio salário mínimo.
Mas os conselheiros insistem, com mais penduricalhos, a mamar-lhes suas miseráveis tetas.


