A inexatidão dos termos e a inexistência de causa que não fora dada, tornam a nota do senador Irajá Abreu (PSD) sobre filiação da senadora Kátia Abreu ao PT (a pedido de Lula) ontem uma rara exposição de discurso da vontade unilateral como imperativo da representação da política, que é coletiva.
O Senador publicitou, em síntese, que Kátia é um dos melhores quadros políticos do Estado e garantiria um palanque sólido a Lula.
Poderia ter ficado só aí, mas:
Para Irajá, Laurez é o nome que melhor (sic) reúne as qualidades necessárias para o momento atual: estabilidade política, vasta experiência administrativa e presença constante junto aos municípios. Sua trajetória é a garantia de muito trabalho e de um futuro próspero para todos os tocantinenses.”
Entende-se o que talvez quisesse manifestar o parlamentar. O problema é compreendê-lo.
Contrário senso: a senadora Kátia Abreu não disporia de tais qualidades. Não as reuniria para disputar cargos. Isto a cinco meses das convenções e coligações.
A nota, por óbvio, impõe a Lula o papel de coadjuvante numa eleição que será bipolarizada e em que o PSD para ter alguma chance necessita do segundo turno. E de Lula, Kátia e o mais que puder.
Assim, de forma gratuita, sem causa e objeto. Nem mesmo fora indagado. Mas notificou de público o que vai na sua alma. Talvez a ansiedade tenha produzido o sincericídio.
Kátia não disse ser candidata. E não estabeleceu paralelismo com Laurez, PT e PSD. E é mais que aliada de Laurez. São amigos.
Kátia tem encontro nesta terça com o presidente Lula. Não se tem conhecimento de que tenha projeto de candidatar-se ao Senado ou ao Governo. Ou a nenhum cargo. Apenas filiou-se ao PT.
E o PT (Lula) pode vir a ser a única opção do PSD regional na briga entre Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro.
E por que? Caiado já disse que é Flávio (caso sua candidatura naufrague) e Flávio é o Bolsonaro original.
Flávio no Tocantins já tem Vicentinho Jr, Eduardo Gomes, Dorinha, Carlos Gaguim e Wanderlei.
Por outro lado, Laurez (ex-PDT) ainda não fechou a sua chapa majoritária. Há apenas o nome dele e do Senador.
Ou seja, se não tinha causa para a declaração excludente a Laurez e Kátia, Irajá depreciou a Senadora adjetivando como melhor o pré-candidato do PSD, reduzindo o preço de mercadoria cuja oferta é menor que demanda.
Um paralelismo desigual não a Kátia, mas a Laurez.
E que foi elemento agregador a Laurez quando assumiu o governo e fez emergir o PSD do fracasso das eleições de 2024.
Alguém precisa receitar-lhe um Rivotril enquanto há tempo.
Os governistas estão dando risadas. Irajá está mostrando que não somente eles tem suas divisões.


