O pedido de impugnação da chapa do União Brasil (com implicações na candidatura da deputada Dorinha Seabra) pela ex-secretária de Educação, Adriana Aguiar, reedita, do ponto de vista político, a disputa entre o governador Wanderlei Barbosa e o ex-Mauro Carlesse.

E do ex-governador com Dorinha a quem tentou substituir – com o impulso do deputado Carlos Gaguim - na direção do Democratas. A direção nacional negou, preferiu a deputada. Gaguim, hoje, está com Wanderlei e, portanto, com Dorinha que, com o União Brasil, abocanhou o PSL, o ex-partido de Mauro Carlesse.

Há questões básicas: se Adriana não compareceu à convenção a que muitos acorreram, a Justiça Eleitoral certamente não a acolherá no seu pedido. A convenção foi divulgada tanto que a maioria interessada lá esteve. A Justiça não acolhe quem dorme.

Outro ponto é a tentativa de anular a ata (e o registro) da chapa quando a suposta irregularidade apontada teria se dado na chapa proporcional e não majoritária, como se quer. E na majoritária está Dorinha. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Somados o não comparecimento à convenção e a interpelação, o movimento aparenta meramente levar incertezas ao eleitorado sobre a chapa Wanderlei/Dorinha. No popular: criar confusão que beneficiaria, por lógica, o ex-governador Mauro Carlesse, como Dorinha, candidato ao Senado.

Isto porque Adriana Aguiar (que seria uma forte candidata a deputada federal se Mauro Carlesse não tivesse sido afastado, fazia um trabalho competente e era um dos projetos do ex-governador), candidata ou não, poderia agregar votos a Mauro Carlesse. Independente de candidatura.

Ainda que fora da chapa de Dorinha. De outro modo, a interpelação, da forma como impetrada, levaria problemas ao União Brasil, com a divisão, da mesma forma em que Adriana poderia manter os mesmos apoios que já tem a Mauro Carlesse, dado que ligados ao seu trabalho e não ao partido.

Adriana, por sinal, teve até abril para mudar de partido e seguir ao Agir, de Carlesse. Mas estrategicamente, um direito que lhe é legítimo, preferiu o União Brasil da adversária. Voluntariamente ou não, uma tática a guerra de movimentos.

Ou seja, além do espólio da Educação (quase um feudo da deputada Dorinha), a disputa que se dá não seria para a Câmara dos Deputados. E sim do Senado onde Mauro Carlesse é adversário considerável da deputada do União Brasil porque transitam praticamente no mesmo eleitorado já que até dias atrás eram aliados.

Dorinha, ademais, foi a primeira presidente de um partido (no então Democratas) a declarar apoio a Carlesse quando ele ainda era apresentado por Wanderlei Barbosa como candidato ao governo.

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