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Ponto Cartesiano

Digressões não circunstanciais: Legislativo, nomeações, a parte e o todo

O deputado Antônio Andrade vai aos poucos contornando os problemas que emergiram com nomeações. Decidiu substituir o ex-prefeito de Itaguatins, Homero Barreto Filho, pelo jornalista Wilson Coelho. O jornalista é um profissional íntegro e competente. Aliás, estava, de forma até injusta, na geladeira depois de ter desempenhado funções na administração de Mauro Carlesse no Legislativo, na campanha eleitoral e ter uma passagem pela RedeSat.

O problema é de outra natureza e grandeza: informa-se que a nomeação atendera a pedido da categoria, depois de uma campanha pública do Sindicato dos Jornalistas. Aliás, conduzido de forma impecável pela jornalista Alessandra Bacelar, outra profissional competente e íntegra. Não enfrento direitos, pelo contrário, os defendo.

Ao acatá-lo, entretanto, o Legislativo sinalizou para a população, de forma indubitável, evidentemente, que estaria a reboque de corporações de categorias profissionais. Dando razão a outras categorias para acharem-se no direito de serem atendidas na mesma régua. Afinal são funções de livre nomeação do governante. E aí, outro direito, do lado contrário, que tem, inclusive, também outro direito inalienável: o de errar ou acertar.

E aí a dúvida inevitável: o profissional seria de confiança de quem o nomeou ou de quem o teria indicado. Indagação que levaria a outra: no caso específico, haveria diferença de tratamento profissional da categoria, na cobertura do Legislativo, se o nomeado não fosse sua indicação? A própria campanha corporativa, ainda que legitima, emitiria os sinais da resposta, ainda que as abóboras se acomodassem com o caminhão em movimento.

O Sindicato fez a sua parte e sindicato é para lutar mesmo pela categoria. Conseguiu êxito inconteste. Mas seus associados são apenas parte, como é notório, numa relação em que governo e deputados, responsáveis pela administração dos recursos públicos, são obrigados a representar e defender o todo. Foram eleitos pela população justamente para isto, tem a representação e é isto que os legitima e a suas decisões.

O populismo e o receio de confrontar as reivindicações corporativas, ademais, não por acaso levaram o Estado à situação em que se encontra. O governo (todos os poderes) consumindo cerca de 70% das receitas com a despesa bruta de salários pagos a servidores.

Destes aí, um pouco acima de 80% consumidos com funcionários efetivos. Benefícios concedidos por governos e deputados em atendimento a reivindicações (todas também justas) dos sindicatos das corporações dos servidores.

A parte da população  (35 mil) ficando com 70% de todas as receitas com salários corporativos. Somando os quase 27% de custeio da máquina, sobram para a população/o todo (os outros 1,5 milhão de pessoas) meros 3% de recursos para investimento em hospitais, medicamentos e estradas que lhes interessam de forma direta. Finalidade que justifica o próprio financiamento do Estado pelo todo não corporativo que contribui para sua existência.

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