
O brasileiro trabalha um terço do ano só para pagar impostos. No Brasil, a carga tributária chega a 36,1%. Destas receitas tributárias, 55,6% vão para a União, 28,4% para Estados e apenas 16,4% para os municípios que é onde vivem as pessoas.
São 18,7% do preço que se paga pela carne nos supermercados, 37,2% na margarina do pãozinho, 52,3% no shampoo, 50,6% no celular, 38% no computador, 59,8% no tênis, 35,3% na calca jeans, 41,7% no refrigerante, 21,2% no café em pó, para ficar só nestes.
No Tocantins, este ano, o governo espera arrecadar R$ 1 bilhão e 828 milhões em impostos. Destes, R$ 1 bilhão e 440 milhões só de ICMS. A maior fatia do bolo.
Na energia elétrica o governo cobra 25%. Isto representa 30% da arrecadação do governo em ICMS, o que dará em 2012 o equivalente a R$ 432 milhões. Só de ICMS, retirados do bolso do consumidor de forma compulsória, já que ninguém consegue viver sem energia elétrica.
E como escrevi em post anterior, nos últimos seis anos o governo deixou de arrecadar outros R$ 10 bilhões por ineficiência da máquina arrecadadora. Ontem o governo anunciou recursos de US$ 45 milhões (perto de R$ 78 milhões) para a modernização do Fisco. Está problemático. Em novembro do ano passado, por exemplo, o sistema parou por uma semana. Há problemas de informática, em algumas barreiras chega-se até mesmo a se usar equipamento de outros Estados. Na questão da nota fiscal eletrônica, dos 36 postos, apenas 10% ficam on-line e por aí vai.
Dias atrás, alguns leitores entenderam que a exposição desta sangria representava uma defesa de estrangulamento do empresário que já vive extorquido por essa carga tributária escorchante.
O contrário. Com a modernização do fisco o imposto cobrado (e recebido) pode proporcionar condições ao governo de reduzir a tributação. Inclusive nos 25% da energia elétrica, possibilitando a cobrança de uma tarifa menor, já que hoje o Estado é o que tem a segunda energia mais cara do Brasil, apesar de sediar quatro hidrelétricas. E sem qualquer influência na carga tributária que, como se sabe, está aí para ser cumprida.
A eficiência na cobrança (do imposto que já é determinado) não significa elevação de impostos e sim estabelecer isonomia entre os contribuintes. Isto porque o empresário que não paga o imposto cobra na mercadoria o tributo que não repassa aos cofres públicos. Aí ele leva vantagem sobre o contribuinte que paga o imposto devido. Sem falar nas implicações lá no supermercado que é onde a porca aperta para o consumidor. Ou seja, imposto não pago não significa menor preço nas gôndolas nem mais empregos no mercado de trabalho.
Essa discrepância vem desde 2006. Como se sabe, são 20 mil empresas no Estado. Um total de 17 mil com faturamento até R$ 1,2 milhão (hoje R$ 1,8 milhão do Simples), que não estão sendo fiscalizadas com eficiência em função das deficiências do fisco.
As outra 3 mil (com faturamento hoje acima de R$ 1,8 milhão, com as mudanças deste ano para o Simples) existem apenas 90 auditores (apenas 50% nas ruas). Ou seja, metade deles (quatro dezenas) fiscalizando um universo de R$ 1 bilhão e 504 milhões contra 510 auditores fiscalizando, ainda que de forma precária, uma arrecadação de R$ 300 milhões.
Assim, uma otimização (eita palavrinha) da arrecadação não significa elevar a carga tributária. E, pelo contrário, pode possibilitar é a administração política dos impostos. Uma destas possibilidades é, sem dúvida, uma janela para a diminuição do ICMS na energia, com a conseqüente diminuição da tarifa, já que pela Aneel isto é praticamente impossível. Por sinal, a redução das tarifas foi uma das promessas de campanha do governador Siqueira Campos em 2010.